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"Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas escondidas nele?"
(Douglas Adams, 1952-2001)

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sábado, 5 de novembro de 2011

(A Amazônia) é a maior "zônia"?


A Amazônia e Maquiavel

por Luiz Mário de Melo e Silva
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
luizmario_silva@yahoo.com.br / (91) 83636720
Icoaraci – Belém – Pará.

A História não retroage muito menos a natureza e qualquer tentativa em congelar o fluxo de ambas é, no mínimo, crime contra a humanidade em seu processo permanente de evolução. Todavia, isso é tentado constantemente e Maquiavel é convocado para tal tarefa, sobretudo pelos políticos, num claro ato de corrupção.

Quando da produção de O Príncipe, obra que imortalizou Maquiavel, a Itália era  um campo de batalhas entre iguais e seu autor tinha a intenção de unificação – algo diametralmente oposto ao que intentam contra a Amazônia, porque os tempos são outros e como diria o poeta “o tempo não para”, e, por isso,  Maquiavel, mais que algo a explicar , é o complicador.


Se O Príncipe é um tratado, um manual de política para a conquista e manutenção do poder é imperioso pensar, então, que o poder, almejado pela razão, não deve ser exercido por alguns poucos, porque razão e poder tendem a ser os mais elevados potenciais humanos para a manutenção da convivência em sociedade e a razão para tal exercício não deve ter distinções, sob pena de ser algo opressivo porque tende negar a capacidade do pensamento critico para a existência da razão.


À época de seu aparecimento e, sobretudo, pelas circunstâncias em que é elaborada, a obra é mais que necessária, porque renascentista valoriza o ser humano com aquilo que o liberta do obscurantismo da Idade Média, imposta pela Igreja Católica, que é a razão que almeja o poder para a liberdade do ser humano.

Contudo, é importante lembrar que no período renascentista a razão encontra respaldo na incipiente ciência e tem nela uma fortíssima aliada para lutar contra o “poder teocrático” da igreja – aliás, a aliança descambou em tutela da ciência, a qual, hoje, parece ser tratada como instrumento para a manipulação da maioria, e com isso, vindo a torná-la como um arremedo da inteligência (a pseudociência), tendendo a incorrer no mesmo erro que envolve a razão.


No atual contexto, o uso de Maquiavel evoca um passado que não mais retorna, e o que se vê é “o futuro repetir o passado” (...) num “museu de grandes novidades”, como diria o poeta Cazuza. E embora ainda encontre efeitos positivos o florentino está em oposição ao fluxo citado anteriormente, valorizando a máxima de Karl Marx, em que “a História se repete como farsa”.


Ora, isso ocorre porque há a tentativa em manter intacto o status quo do combalido capitalismo que passa por crises intermináveis e só sob trevas tende a se manter inabalável, como ocorreu ao Império Romano às vésperas de sua derrocada, bem como à Igreja Católica, cada qual à sua época, que são exemplos de oposição ao processo de transformação, despendendo, para isso, de grande esforço conservador. E claro que a manutenção – mais importante que a conquista ­- do poder capitalista está na ordem do dia e é preferível a corrupção às atrocidades da guerra (embora esta não esteja de toda descartada) que se espraia aos quatro cantos do mundo, com a globalização.


E nada melhor que a estratégia maquiavélica da corrupção para justificar o fim a que se propõe que é manter o capitalismo. O que se dá por meio da educação repetitiva, enfatizando um centro de controle, como impõem as carcomidas culturas elitistas ocidental e oriental, que se pretendem eternas, muito embora o empirismo, como base do referido trabalho, seja um dado fundamental para a construção e manutenção de algo que se pretenda como real, o que não garante  a eternidade.


No entanto, isso se mostra, no mínimo, perigoso porque como nunca houve uma enorme quantidade de determinada espécie como é a humana, caracterizada pela razão, que não poderá ser impedida por muito tempo de utilizar esse potencial para sua conservação, seu impedimento, em tal circunstância, poderá produzir monolíticos monstros assassinos (um leviatã irracional, por exemplo). Além do que, já não mais estaremos falando de ser humano em sua plenitude e, sim, de algo sem valor (haja vista que este é gerado pela razão) que não merece respeito e consideração; aliás, como vem ocorrendo em diversas situações mundo afora.

Alguém poderia notar que a resistência dos amazônidas à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHBM) poderia evocar um contexto quixotesco. Isso se não houvesse a natureza exigindo sua fatura. E nada melhor de quem ou o quê sempre manteve o elo entre “desenvolvimento” e “atraso” para opinar sobre tema tão polêmico – mas inevitável – como são os índios. Ademais, a unificação proposta por Maquiavel só é possível de ser entendida, atualmente, se observarmos que na natureza ela sempre foi uma constante com o objetivo de garantir a vida por meio da evolução que necessita de todos os elementos existentes, em perfeita simbiose, tornando cada vez mais complexo (amplo) o que surge ao contrário da proposta anterior que é manter estável (ou estático) o que surgiria. 

Portanto, o que se apresentava como novidade, como ocorre ao conhecimento em seu surgimento, tende a se tornar informações, às vezes irrelevantes, com o passar do tempo, embora, ainda assim, possa ser usada como algo positivo por opressores espertalhões contra incautos, obviamente desprovidos de razão crítica, para que estes não percebam o quanto sofrem manipulações e assim, na ignorância, tentam garantir, ad aeternum, a manutenção de uma ordem que se esvai, principalmente por não poder se opor ao tempo concretamente percebido por meio da História e da natureza, sobretudo esta como nova linguagem – aliás, refinada através da ciência, esta que pode ser utilizada para o benefício ou malefício da humanidade, como usou Maquiavel para iluminar o mundo no séc. XVI, e que, hoje, tende a servir para, ao contrário, obscurecê-lo, via corrupção, para justificar a conservação de algo insustentável como a sociedade capitalista/burguesa.  

Algo contra o qual a Amazônia, em sua rica biodiversidade, se apresenta e impõe como divisora de águas. Até porque, para haver Maquiavel é necessário existir Alices, ou doutos Pangloss, que precisam ser superadas para a evolução da humanidade.  


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

por um Anarquismo Amazônida...


Anarquia em relevo

Por Luiz Mário de Melo e Silva

Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci  (FDMAI)

luizmario_silva@yahoo.com.br / Tel.: 83636720

Icoaraci – Belém – Pará.


No dia 07/09, comemorando o dia da independência, o país  foi  tomado por uma série de protestos, sobretudo contra a corrupção. Em Belém, o movimento "Xingu Vivo",  expôs sua contrariedade à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHBM), no Rio Xingu, em Altamira-Pa, além de combater a corrupção.

Se os protestos foram no sentido de garantir e valorizar a res publica, ou coisa pública, por que, então, a aparente contradição entre a defesa e a crítica à coisa pública?

Ora, porque há muito a republica deixou de ser – se é que algum dia o foi – do público, porque o que aí está é privado, particular apossado como foi por meio da corrupção e o autoritarismo do governo, quanto da imposição da UHBM.

Para que isso ocorra, instala-se a anarquia organizada por meio da educação alienante que tem a população como alvo de manipulação e domínio, com a falsa idéia de liberdade para a livre manifestação. Como se vê, tanto a anarquia quanto a república são falsificações – grosseiras, diga-se.

Mas isso não passou despercebido e os autênticos anarquistas reivindicaram, e reivindicarão sempre, o compromisso de fazer valer a verdadeira liberdade ao confrontarem a república instalada no centro da praça com o mesmo nome.

A expressão “VIVA À REVOLUÇÃO SOCIAL” e o símbolo anarquista, escritos sobre o monumento central da praça demonstra o choque entre o que está carcomido pelo tempo e a urgência de mudança em um ambiente que não comporta mais um estado de coisas que beneficia alguns poucos em detrimento da grande maioria - algo só possível porque a população, numa anarquia organizada, é levada a viver  em permanente confronto com os seus iguais, enquanto aqueles que se dizem os responsáveis pela manutenção do bem-estar social só têm olhos para o seu próprio.


Segundo consta nos jornais, a atitude de confrontar a república tinha como alvo “o corte de verba da educação”, como repudiou um manifestante libertário , através da ação e pensamento revolucionários. Pois para uma república corrompida e opressora a valorização da educação não pode ser motivo de liberdade tanto individual quanto coletiva, sob pena de ser letal para os planos de manutenção do status quo.

Mas, como “o que é sólido desmancha no ar”, segundo escreveu Karl Marx, a república que se assiste tem seus dias contados por se sustentar em uma base apodrecida, como é o capitalismo, que vem dando mostra mundo afora de seu esgotamento.

Aliás, só não houve ainda o funeral porque o moribundo assenta-se sobre zumbis moldados pelos educadores “coveiros de sonhos”, estes exímios em desviar a atenção da população sobre a falência em que se encontra a sociedade capitalista, pois se seu cerne (o capitalismo) for colocado sob as lentes da rigorosa ciência (e não a tutelada como ocorreu desde a aliança entre burguesia e ciência, na Idade Média, para combater o poder da Igreja Católica Apostólica Romana, assunto a ser tratado em momento oportuno)  ambos já não se sustentam - o que ainda ocorre porque a pseudociência (fomentada pela veste da educação alienante) empana a percepção de que já não há dinâmica no capitalismo. Até porque atingiu seus limites que são por um lado a economia financeira, ou especulativa, último estágio e, por outro, o mercado que, com a globalização, não há mais para onde expandir (a menos que surgisse outro mercado entre os animais, coisa não de todo impossível nestes tempos de alienação), permanecendo em estado de oscilação constante como se evolução fosse, iludindo, então, incautos num processo de idiotização da humanidade.

Daí que, mais que uma atitude de “vandalismo”, como pretende a falsa república com sua ideologia e o falso anarquismo (logo, sua idéia de vandalismo é falsa) a mascarar o crepúsculo de uma era, com ídolos com pés de barro, a frase com o sentido que a ensejou, sob os pés da estátua de uma criança - símbolo do novo – é, ao contrário, o que mais se apresenta de vigor, num porvir contra a corrupção e o autoritarismo, haja vista que a corrupção e a UHBM são mortes, consequências de uma sociedade decadente e em desespero. E o anarquismo é liberdade, é vida, sobretudo a partir do solo amazônico onde ocorreu o fato em questão. 

Pois, bem como para o amor e para a vida, também para o verdadeiro anarquismo, não existe o futuro. O amanhã é agora, já!

Com muito Amor...


As Vadias
Por Luiz Mário de Melo e Silva 
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
Icoaraci – Belém – Pará.

A humanidade deve sua existência a uma vadia. E que Vadia!, que jamais se submeterá a alguém. Aliás, a tentativa de imposição dessa proposta tem levado a humanidade a sofrer as maiores tragédias de que se tem notícia, coisa que tende a mudar, para a felicidade geral.

A Vadia em questão é a natureza que, na sua vadiagem, deu a luz a quem pretende ser seu algoz e sua porta-voz é a mulher, que, semelhante à vadia-mor, tem vivido as mesmas situações. Na verdade, não há distinções e todas acabam por serem una quando se observa, sobretudo, a capacidade de decidir sobre a vida.

Quem assistiu a Marcha das Vadias ocorrida em Belém, no dia 28/08/10, certamente ficou impressionado e não teve como ficar impassível diante do que se passava, pois as mulheres que ali estavam mostravam uma desenvoltura assustadoramente saudável quando se reflete sobre o que traziam  - e pretendem - seus olhares, gestos, cantos, discursos e palavras de ordem, sobretudo a que dizia “Se o papa fosse mulher o aborto seria legal!, seria legal, seria legal!”. Entre tudo que ocorreu, isso talvez fosse o que mais chamou a atenção.

A palavra era entoada com uma fúria que arrepiava qualquer um, ainda mais se comparada à força da mãe natureza quando se manifesta aos homens através de fenômenos de todos conhecidos.

Também, não era para menos, pois, assim como a natureza sempre foi escamoteada e com isso oprimida, as mulheres, também, historicamente são vítimas de abusos de toda ordem, sejam eles físico, psicológico e ideológico impostos, infelizmente, pela moral masculina - diga-se -, que começa a ser contraditada pela  bagunça que se assiste mundo afora, justamente organizado pelo costume imposto pelos homens – algo inteligentemente percebido pelas feministas quando definem que “a objetividade é a subjetividade masculina”.

Pois o brado em questão, se bem pensado, remete a ideia de liberdade que todos almejam, algo que é inerente tanto à natureza quanto ao ser humano, o que, aliás,  tende a explicar o que se entende por  “natureza” humana em sua mais peculiar característica, haja vista que na primeira a liberdade é total enquanto que na segunda tal pensamento se acha condicionado pela moral – coisa que as mulheres têm tentado superar ao longo dos tempos, embora pareçam não serem atendidas em sua reivindicação.

Aliás, outra coisa em que as mulheres foram muitíssimo felizes foi o fato de não  terem dado à marcha a conotação de algo sexista, pois em consonância com a natureza, que não discrimina ninguém e, ao contrário, nivela a todos e todas ao mesmo grau de importância, e por causa disso fez com que conquistassem mentes e corações de muitos homens ali presentes, ainda que fosse namorados, maridos, amantes ou simplesmente simpatizantes, numa simbiose maravilhosa, onde talvez aqueles homens também se sentissem oprimidos por uma condição que não fora elaborada por eles e acompanhando-as pudessem se sentir um pouco mais livres.

Daí, que venham as Vadias. Pois que, sendo as culpadas pela perda do paraíso, proporcionaram, ainda que com seus sofrimentos, a condição para que a humanidade possa fazer uso da inteligência para alcançar a liberdade, atributos da Vadia maior, tão bem representada pelas mulheres, em sua condição de parideiras (ou não) de algum suposto salvador – coisa que a natureza não tá nem aí. 

sábado, 22 de outubro de 2011

Poesia Amazônida (A Beira)

A BEIRA 
por Amor de Gavião
                                          NA BEIRA EU FUMO ,
                                         NA BEIRA EU DURMO,
                                        NA BEIRA EU NAMORO ,
                                 POÍS ;  NELA EU ME EVAPORO!
                     VIAJO , TRANSCEDO ,TORNO-ME PLURAL,
                                DA HORIZONTAL À VERTICAL .
                    SINTO A NATUREZA A POESIA LITERARIA ,
                  PLURISIGNIFICATIVA , DESCONCEITUAL!

                                   A IMAGINAÇÃO SE ELEVA ,
                                  E NAS ASAS DA FANTASIA ,
                                  O RACIONAL SE DEJENERA ,

                                   POÍS ; NA BEIRA VEJO O RIO ,
                                    HORIZONTES AMPLIADOS,
                                      METAFISICA DA VIDA ,
                                       DA FUMAÇA DO SER ,
                             A LITERATURA DE SEU VIVER !
                                SIM! NA BEIRA EU PENSO ,
                      NA BEIRA LIBERTO-ME DA UNIDADE ,
                              REINVENTO  A  REALIDADE ,
                              VOU PARA  A LIBERDADE!!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Poesia Amazônida (Impasse)

Impasse
Por Nedaulino da Silveiro - Nidau. 
In Caiporismo e outros poemas.

Olha,
Bem!
Procurei presentear-te
É teu aniversário
Porém
Possues todo presente material
que eu quisesse
te oferecer
Mas não faz mal
Tentei, insisti, pensei...
livros, perfumes,
tudo, tudo já tens, Bem
Uma flor!
Que pena amor, pois
entre todas as flores que conheço
És a mais bela
Então notei
Algo de mim... pensei,
a minha vida! quem sabe?
Puxa!
Mas este foi o primeiro presente
que te dei!...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Mitos, muitos.

A Amazônia e a besta
Por Luiz Mário de Melo e Silva 
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
luizmario_silva@yahoo.com.br
 

Os homens sempre procuraram se orientar por algo que irradiasse poder para que, a partir daí, exercessem o controle sobre o mundo.

No início, o mito fornecia as condições para o mando a quem, com certa habilidade, incutisse o medo nos demais, ainda que sua finalidade não fosse essa. E embora já não estejamos mais no tempo em que ele era usado para explicar o que ocorria, muito do que subsiste na sociedade se fundamenta nele (mito) para manter-se como o centro, como ocorre à elite, por exemplo.

E, a menos que a elite haja abdicado de sua pretensão de ser o centro entre os universais, a atitude do norueguês Anders Behring Breivik aponta para essa condição mitológica.
 
Certamente que sua atitude não deve ser encarada como algo isolado. Antes, porém, tem que ser pensada como a reivindicação de algum suposto direito que se esvaiu. Direito este, de ser o centro irradiador de cultura, como há muito tempo se pretendem os europeus. Logo, o ato de Anders tende a se parecer como a tentativa de resgate de um poder perdido.

Dois fatores se apresentam como justificativas para o ocorrido: primeiro, a crise capitalista; o segundo, a questão ecológica.

Todavia, antes da exposição dos fatores é necessário lembrar que ambos são de fundo material e como somos todos materialistas, a retirada dessa base leva à derrocada sem que haja algo sobrenatural a provocá-la, como pode ocorrer a algum ilusionista ao tentar empurrar goela abaixo o motivo pelo qual agiu A.B. Breivik.

No primeiro caso, se usada a metáfora das competições anuais de futebol, onde há ascensão e descenso de clubes, fica claro que a crise capitalista desloca a Europa de uma categoria superior para uma posição inferior na tabela de colocação.

No segundo, utilizando das observações da física quântica, para a qual não há um centro fixo, e talvez nem haja centro (e aqui é necessário compreender que ciência é linguagem refinada da natureza), a natureza, por sua dinâmica, dilui toda idéia de centro, contra a qual lutam os ocidentais a partir da cultura européia.
 
Daí que, a conjugação desses fatores tem provocado o desespero do velho continente e o perigo iminente de queda jamais será pacificamente aceito. Até porque, sendo nórdico, como escreveu Behring, logo, elite européia, como sugere, não se resignará à fatos que fogem a seu controle E como tal, a atitude do norueguês certamente conta com a simpatia de muitos líderes políticos do continente, pois o que está em jogo é a sua sobrevivência, ainda que assentada no mito da superioridade da cultura – o que já deveria ter sido revisto, pois, como exposto anteriormente, o mundo não está estagnado. Ou não?
 
Aliás, se faz necessário uma revisão geral da História quando a questão ecológica (a natureza) se impõe, porque, como bem colocou Karl Marx, ao dizer que num primeiro momento a História se apresenta com tragédia, num segundo, como farsa, a reivindicação sugerida na atitude do norueguês atenta contra a inteligência. Sim, porque durante muito tempo o distanciamento total concernente à importância da natureza para o surgimento do mundo foi a tônica, algo que já não é mais possível hoje, haja vista que a evolução havida permitiu o surgimento da inteligência que é o mais sublime subproduto da natureza, e contra a qual (a inteligência) não há quem ou o que se oponha.
 
E tratar o multiculturalismo como a causa da suposta decadência da Europa enquanto referência mundial, pretendendo que o mundo volte atrás e negue o “trabalho” da natureza no que diz respeito à evolução do mais simples ao mais complexo, já que, a diversidade cultural é análoga à biodiversidade, sendo, portanto, impossível impedir a expansão e surgimento de um novo pensar e ver o mundo como propõe a cultura a partir das mais diversas nuances, é tentar negar mais uma vez a importância da natureza, através da pretensão da superioridade de sua cultura, como sempre fez a elite que se pretende o centro do mundo e que, a todo custo, repudia a idéia de vir a ser apeada de sua mitológica condição.
 
Esse temor só se justifica pela negação das infinitas relações existentes entre os inúmeros elementos da natureza a gerar o novo, como também ocorre com a cultura que semelhante àquela tem somente o adiante e nunca o anterior – coisa que a elite trata como um monólito por tentar manter seus costumes e, por meio deles, suas benesses.
 
Nesse sentido, a Amazônia se faz um manancial de saberes e coisas que, embora se apresente, por comparação, confusa por imposição cultural elitista que despreza o popular, como se primitivo fosse, se contrapõe à besta por ser a natureza materializada e, por isso, traz em seu bojo todo vigor da transformação que descentraliza e unifica permanente todos os eventos presentes, com conseqüências inimagináveis, para daí continuar ad aeternum como a vida. Abarcando, inclusive, a quem tenta tutelá-la com seu discurso falido, como é o norueguês.
 
À insustentável condição elitista diante da natureza cabe a pertinente pergunta: se houver uma elite na natureza, qual seria ela? É a vida que está em pé de igualdade tanto para o mais simples quanto para o mais complexos dos organismos, a resposta. Logo, não há um centro discriminador na natureza.
 
Assim, o ato da besta loira tem que ser enquadrado como crime de lesa-humanidade e esclarecido para o mundo se não quisermos ver repetir outra carnificina em escala mundial, além, claro, da involução da humanidade, porque, do contrário, sua atitude seria uma tentativa de rejuvenescimento da elite – essa açougueira contumaz -, que, por isso, se pretende eterna. E, se assim for, ela (a besta) merecerá, então, um monumento em homenagem pelo feito.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Poesia Amazônida

VEM, MEU BEM
(Nedaulino da Silveira, "Nidau". In: Caiporismo e outros poemas)

A Belém vem,
        Vem meu bem
                     ver Belém
        Vem ver bem
                  o que minha Belém tem

                  Belém do açaí
                       Cupuaçu e maniçoba
                                  e Belém tem também
                       Bacuri e tacacá
                                 vem ver e provar pra ficar

         Em Belém
                     também tem
                     amor e bem, vem
                             vem ver Belém

Vem, vem ver
         Minha Belém
                    de morenas cheirosas
                    e mangas gostosas

         Vem ver o que Belém tem
                     Tem em Belém, pau-rosa
                     igarapés, pirarucu
                           tem em Belém

Ainda em Belém
          Vem vem
                      tem banho cheiroso
                             e pato no tucupi gostoso

         Fica em Belém
                 meu bem, pois...
                 Dois bens: você e Belém
                           vão se dar bem
                                  meu bem!

sábado, 6 de agosto de 2011

Natureza (Pelourinho Nacional)

Pelourinho nacional

Por Luiz Mário de Melo e Silva
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
e-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br
Icoaraci – Belém – Pará.

Nunca antes na história deste País o complexo de vira-lata esteve tão fortalecido como agora por ocasião da imposição, pelo governo federal, da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHBM), em Altamira-PA.

É de imperiosa necessidade observar que diante do imenso e veloz avanço da ciência e da tecnologia tal empreendimento parece obsoleto, com o agravante da desconsideração da biodiversidade, quando a humanidade caminha em busca de um porvir a valorizar a vida em harmonia com a natureza – coisa que os defensores da UHBM solenemente desprezam ao deixarem de cumprir as condicionantes para a implantação da obra.

Tal situação se assemelha a alguém que se gaba de possuir roupa nova, porém confeccionada com tecido velho. Ou seja, vangloria-se por pretender possuir novidade sem perceber a obsolescência a que está submetido.

Ora, outra não é a índole deste País que se pensa evoluído a partir de idéias carcomidas pelo tempo, como se fosse o exemplo de superação, pois, remontando sua história, veremos que a essência é não possuir essência, já que esta fora esmagada no nascedouro com a invasão européia; aliás, se há alguma originalidade no que se assiste, esta é ser tangido pelos de fora como, hoje, se repete, em nome do desenvolvimento, mais do que nunca, como farsa.

A hidrelétrica de Belo Monte até poderia ser pensada como um monumento desenvolvimentista se não houvesse a percepção da valorização da biodiversidade, como ocorreu no período da Revolução Industrial, havida na Europa, no séc. XVII, onde a Natureza era percebida como algo do passado.  À época, quem, por aquelas bandas, exigisse reforma agrária, seria desterrado. Ou seja, no ciclo evolutivo, os gringos podem ser livres para seguir, e, para os amazônidas, em tempos de valorização da biodiversidade, é imprescindível fazer todo o percurso de outras nações? Se assim for, que tal a reforma agrária na Amazônia?  Isso sem levar em consideração, como o discurso de caráter oficioso impõe, a história de povos originário e que ainda permanecem na região.

Numa observação acurada as barragens se assemelham à cercas, delimitando propriedades particulares; são verdadeiros currais – coisa que nestes tempos de exaustão de alguns recursos naturais, agravado pelo consumo exorbitante, serão cada vez mais evidentes (e contundentes), ainda que venham a possuir outras configurações, como a militar e a ignorância (talvez a de maior investimento para tornar cativos os povos) por exemplos. E na Amazônia, as barragens, são aberrações. Um escárnio à inteligência, à própria Natureza se aquela for entendida como um precioso subproduto desta, sobretudo se o conhecimento, o saber e - em última instância - a ciência se apresenta como sua linguagem refinada.

Essa condição sugere total ausência de uma filosofia e ciência exclusiva do ambiente amazônico, pois, ainda que haja alguma tentativa em produzir algo original nesse sentido, todo esforço tende a ser influenciado por doutrinas estrangeiras, comprometendo negativamente tal propósito, além, claro, de contar com a incompetência (para lidar com o interesse público nacional, diferente do privado internacional) do governo, como bem demonstra o Profº Dr. Mário Ramos Ribeiro, no artigo “Uma corte internacional para o meio ambiente”, (O Liberal, 11/06/2011).

No referido artigo Ribeiro comenta que o francês Brice Lalonde, secretário executivo do comitê preparatório para a Conferência sobre o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (Rio+20), em 25 de maio passado, “defendeu a criação de uma corte internacional para o meio ambiente”, onde “Por ser um tribunal da Nações Unidas, ele teria o poder de gerar normas de força jurídica imediata (“legally binding”). Teria o poder de “distinguir na Amazônia quem e quem”. Dizer qual atividade econômica seria carbono-intensiva (usaria de energia não renovável, como o combustível fóssil), e qual atividade econômica seria de baixo-carbono. Possuiria ainda a faculdade de “punir”, sancionar, determinar embargos, de definir “regras de procedimento”, mecanismos de compensação e – pasmem! – poderia inclusive determinar a retirada dos subsídios agrícolas, um velho sonho internacional”, sem que o governo federal houvesse se pronunciado “sobre a Proposta Lalonde” – proposta que certamente influencia na celeuma sobre a UHBM, tendendo a manter o povo de quatro, no momento em que a Amazônia poderá ser o encontro do elo perdido do ser humano e sua essência, impulsionando o Brasil a um patamar superior ao de países considerados de primeiro mundo.

Como se vê, a idéia sobre Belo Monte tem por objetivo consolidar o complexo de vira-lata, tão falaciosamente contestado pelo ex-presidente Lula quando no exercício do mandato, num discurso que destoa completamente da prática, só tendeu a subjugar a autoestima do povo brasileiro no que se refere à questão ambiental, e, que certamente contribuiu – e contribui - muitíssimo para o que se assiste hoje. Sendo tal condição homenageada pelo monumental pelourinho, “símbolo da autoridade e justiça” dos “donos do poder”.    .             

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Café Filosófico

Família Contemporânea em cena: novos pais.




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A globalização é feminina?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Oportunidades

Oportunidade
Por Luiz Mário de Melo e Silva
e-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)

Segundo a Bíblia as mulheres são as grandes culpadas pelo que há de errado no mundo, afinal, foi a primogênita delas que, ao descumprir a ordem suprema, colocou tudo a perder para a humanidade (causa estranheza, porém, que algo, desprovido de vontade própria, sem razão, logo, discernimento, como eram os bípedes implumes do paraíso, possa descumprir quaisquer ordens, sobretudo de Deus; assunto a ser tratado em momento oportuno) e por isso, pagamos todos.

O pequeno intróito é devido a tentativa de compreender o governo da presidenta Dilma, porque, em curtíssimo tempo de mandato, o mesmo, segundo a imprensa sugere, é só corrupção.

Partindo, ainda, da grande verdade em que a mulher foi feita da costela do homem, certamente os erros cometidos pela presidente são consequências  de fatores herdados geneticamente. Logo, o que se assiste tem respaldo na ciência para continuar. Ou seja: o que começou errado permanecerá constante. Seria isso, então, a “herança maldita”, tão propalada pelo ex-presidente Lula e contra a qual não há nada a fazer?

Nesse sentido, deve-se imputar a sra. Rousseff, pessoa pública, total responsabilidade pelo que se assiste, até porque, como autoridade máxima do país  supostamente deve estar informada da índole de pessoas que a cercam (os “mensaleiros”, por exemplo,   compõem sua base de apoio e, quem sabe, pressionam para manter o status quo), e por isso não há como evitar sua suposta participação nos escândalos intermináveis, que encontram proteção para continuar como a praga que tomou conta da vida pública brasileira. Aliás, na altura dos acontecimentos, para se esquivar dos fatos, dizer que não sabe de nada do que ocorre não se justifica por todos os motivos, sobretudo porque estaria reproduzindo o mesmo que seu antecessor e avalista a quem deve sua atual condição, o que corroboraria o mal, com o que diz a Bíblia sobre a condição da mulher – o que é pior - e com a opinião popular de que todos os políticos profissionais são farinha do mesmo saco.

E se assim for, acabou-se a história, como desejava Francis Fukuyama, restando-nos, portanto, ficar em casa e  usufruir da paz eterna.

Porém, se a presidenta lembrar que Raul Seixas cantava que é preferível ser uma metamorfose ambulante a ter uma velha opinião formada sobre tudo, e, ainda, não ficar sentado no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar; como também ensinava Nietzsche que “entre as condições da vida poderia estar o erro” (A Gaia Ciência), não custa nada fazer valer a “rebeldia” de Eva e tentar mudar este quadro, dando continuidade à vida. Porque foi justamente a “desobediência feminina” que nos trouxe aos dias atuais e os quais, certamente, apesar de tudo, ninguém deseja deixá-los.

Por isso, esta é a oportunidade para as mulheres mostrarem que são a grande  diferença, como vem fazendo a professora nordestina Amanda Gurgel, e parir a solução para os problemas que afligem e oprimem a maioria dos brasileiros e - porque não? – a humanidade, sem prejuízo aos homens, afinal, são elas que fazem surgir a vida e contra isso não há como se opor. Portanto, não podem ser acusadas de erros dos homens.  

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Deus, Universo e Tudo Mais (Entrevista)

com Stephen Hawking, Carl Sagan e Arthur C. Clark como convidados, Magnus Magnusson mediou, em 1988, uma excelente entrevista (ou mesa-redonda).

















sexta-feira, 24 de junho de 2011

...a Academia Paraense de Letras.



AS LETRAS DE LUTO


A Academia Paraense de Letras (APL) perdeu uma excelente ocasião de voltar a ser das letras, e não de uma elite – que não é intelectual – que aos poucos vem se apossando daquele chamado sodalício. Ao eleger o senhor Ubiratan Aguiar com 22 votos para a vaga do falecido poeta Alonso Rocha, negando a entrada naquela entidade cultural aos poetas e escritores de reconhecidos méritos, quais sejam Antônio Juraci Siqueira e Milton Camargo, na eleição de hoje, a APL virou as costas para os escritores do Estado, que até então viam na instituição um respeitável exemplo de amor à Literatura.

Não cabe nem comparar os currículos dos candidatos item por item, porque seria covardia extrema com o senhor Aguiar. Antônio Juraci Siqueira é um dos mais premiados escritores paraenses de todos os tempos, aclamado pela crítica e pelo gosto popular, não por acaso glorificado por quem convive com ele, como eu, há mais de duas décadas. Milton Camargo, também, além de ser um consagrado autor de livros infanto-juvenis, é poeta premiado pela APL e foi professor da Universidade Federal do Pará. Por que negar o acesso dos dois, então?

A resposta é que, há muito tempo, a APL se tornou uma Assembléia Paraense de Letras, onde ser detentor do título de acadêmico tem pouco a ver com o saber e muito mais com o poder aquisitivo do candidato à pretensa “imortalidade”. Nesse sentido, convenhamos, perdeu muito mais a instituição, empobrecida intelectualmente sem Juraci ou Milton, e ganharam os dois autores que ficam de fora por serem, reconhecidamente, de baixo poder aquisitivo, mas de imenso patrimônio literário e intelectual.

Autor: Alfredo Garcia

sábado, 21 de maio de 2011

Públicas vs. Particulares.

Uma pequena provocação para os leitores que vierem a passar por este blog sugerida por uma amigo após algumas (pouquíssimas opiniões) trocadas via e-mail nesta semana. 

Tudo começou com este e-mail:

Subject: FW: Embate Fac Particular versus Pública
Date: Sat, 14 May 2011 18:28:25 +0300

> Era para ser uma 'brincadeira' com a propaganda
> da Mastercard, mas acabou virando provocação
> entre as Faculdades...
> Veja até o final. (MUITOO BOA MESMO)!!!!
>
> Estudar na UNAMA: R$ 800,00
> Estudar na FACI: R$ 757,00
> Estudar na CESUPA: R$ 800,00
> Estudar na FAP: R$ 750,00
> Estudar na IESAN:R$ 800,00
> Estudar na FEAPA: R$ 640,00
> Estudar na FAPAM: R$ 600,00
> Estudar na FIBRA: R$ 725,00
> Estudar na ESAMAZ: R$ 700,00
>
> Estudar na UFPA.. . Não tem preço! ! !
>
> Mas também...
>
> Não tem aula. . .
> Não tem professores. . .
> Não tem giz, carteira, material didático. .
> Não tem festa boa. . .
> Não tem gente bonita. . . . . . e no verão , não tem
> férias ! ! !
> Existem coisas que o dinheiro não compra...
> (desorganização,preguiça, etc...)
> para todas as outras, existe o Mastercard.
>
>
> RESPOSTA DE UM ALUNO DA FEDERAL
>
> Estudar em uma federal : Realmente não tem preço! ! !
>
> E também:
>
> 1. Não tem semianalfabeto
>
> 2. Não tem reitor mercenário
>
> 3. Não tem (muito) filhinho de papai
>
> 4. Não tem encheção de saco do papai nem
> da mamãe, eles não pagam sua faculdade,
> então não podem falar nada
>
> 5. Não tem shopping, manicure, salão de beleza ...
>
> 6. Não tem monitor metido a professor
>
> 7. Não fingimos que temos prova, nem fingimos
> que somos avaliados, nao existe prova de
> segunda chamada nem "recuperaçao",
> ou voce passa ou vc passa nas disciplinas,
> nao tem alternativa.
>
> 8. Não tem provas com média 5.0, para passar.
> O conceito é BOM OU EXCELENTE!!
>
> 9. Nem o esquema 'ppp' (papai pagou passou! )
>
> 10. Tem ensino de qualidade, pesquisa e extensão
> (os cursos particulares sabem o que é isso ? ).
>
>
> RESPOSTA DE UM ALUNO DA 'PARTICULAR'
>
> 1. Caro amigo maconheiro, parabéns pelas suas
> justificativas (ponto pra você).
>
> 2. O fato de pagar a faculdade é problema para os
> quebrados, não para mim! (ponto pra mim)
>
> 3. Nas federais tem ensino de qualidade, pesquisa e
> extensão (ponto pra você)..
>
> 4. Na minha faculdade, alguns dos melhores professores das federais, todos doutores, foram contratados para ganhar 3 a 4 vezes mais e, por isso, ministram as aulas com mais tranquilidade e empenho, pois não têm que se descabelar com as dívidas e o cheque especial no vermelho!!! (ponto pra mim)
>
> 5. Eu estudo numa sala que tem cadeiras acolchoadas, ar condicionado, canhão de luz com telão, retroprojetores, datas-show, quadro branco e espaço para todos que, na maioria, usam bom desodorante! ! !(ponto pra mim).
>
> 6. Você provavelmente senta naquelas cadeiras pichadas com liquid paper, que a minha avó usou. Sem contar o quadro de giz e o ventilador espalhando cal pela sala... (ponto pra mim)
>
> 7. E outra coisa: Na minha faculdade, nós entramos
> estudantes e saí mos como estudantes. Nas federais, na maioria das vezes, entra-se estudante e sai punk, maconheiro, nerd, rasta, canhão, doidão, metaleiro e quase sempre petista! ! ! (ponto pra mim)
>
> Por falar em sair: Quando é que você vai sair daí???
> Tem alguma previsão?
> Amanhã pode ter mais greve e você ficar mais um ano sem férias.
> Ah... Férias. . . Férias. . . Férias! ! !
> Você não tem mais férias?
> Bingo! ! Como diz o velho ditado: 'O barato sai caro!'
>
>
> Resposta de um aluno da UFPA
>
> Realmente caro aluno semianalfabeto "O barato sai caro"!!
>
> Mas aposto que você tentou pegar esse barco umas
> quatro ou cinco vezes mas quando descobriu que nunca passaria, optou por uma particular, porém, teve que fazer teu pai vender o carro, apertar as contas e diminuir tua balada e quando vai a uma balada ainda vai liso, pois, o teu dinheiro encheu os bolsos do dono da facul e do reitor Mercenário!
>
> Realmente o maximo que você pode ser é um mero
> estudante, POIS, não te considero UNIVERSITÁRIO
> pois pra ser temos que fazer vestibular e não fingir que fez!
>
> Fazemos festa pelo fato de que vamos ter uma profissão e não vamos ter que pagar pra isso, e o melhor, concorremos com mais de CINQUENTA MIL, e passamos!! E vocês?? por que fazem festa??
>
> Na Federal até liso se diverte! duvida? veja esses dados embaixo!
>
> Caipirinha R$ 1,00
>
> Passagem R$ 1,80 ida e volta
>
> Beijo na boca não precisa ter carro
>
> Dinheiro com roupa - uma sandália uma calça e uma camisa serve de traje!

> Sem falar que as meninas são quentes na cama, sem dixar de ser dama! e

> Não fazem programas pra pagar as "UNAMAS"!!
>
> Pois é caro semi A ! Além de tudo quando você
> se formar e o chefe comparar teu CURRICULUM
> com o meu, você já sabe né? o teu vai pro Lixo!!!!!!!
>
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No final do e-mail, meu amigo fez esse adendo.

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> Alex - Essa eu ouvi de um Professor (Doutor) da UFPa (tirem as proprias conclusões):

> "Na Universidade Federal, os alunos são Acadêmicos de fato, ou seja, sujeitos que atuam na Academia e produzem ciência, pesquisa e conhecimento em qualquer área, apoiados por um legítimo ambiente acadêmico.
Numa Faculdade particular os alunos são meros clientes consumidores de uma loja cujo produto vendido são aulas prontinhas, redondinhas e fáceis, e os professores são os funcionários que tem a obrigação única de fazer esse produto de acordo com o gosto do freguês"
>
> ééé... alguem mais? rsrs
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Minha opinião foi a seguinte:
 
Enviadas: Domingo, 15 de Maio de 2011 17:01:05
Assunto: RE: Embate Fac Particular versus Pública

Essa estratégia de ficar alfinetando um ao outro, Públicas vs. Particulares, é uma grande bobagem. Já se aperceberam que é realmente isso que os donos do poder ou os desinformadores de opinião querem? Aluno ruim tem em todo lugar. Inclusive chamar alguém de aluno pode carregar um significado muito safado, já que, etimologicamente, é o indivíduo "sem luz", "desprovido de conhecimento", "burro" (É só consultar qualquer dicionário de latim).

Outro fato, é que as particulares também são subsidiadas pelo Estado. Então, quem utiliza esse caminho paga mais de uma vez. Detalhe as vezes "esquecido" nas defesas. Por outro lado, quem está em uma pública também paga para estar lá. O detalhe está em enxergar essa variável! Então, se vivemos em uma sociedade capitalista onde a lei de mercado está imposta, por que somente os estudantes de particulares reclamam de seus produtos? Talvez está percepção não esteja sedo ensinada no "Liceu do Guamá", que ainda é a grande referência de Pesquisa e Ciência no Pará. Mas até quando?. Ciência verdadeira se faz como uma arte, a "Arte da Dúvida". Quem teve coragem de debater com o professor Doutor citado (texto em vermelho). Quem está acostumado com a literatura científica sabe que todo trabalho deve ter uma seção chamada Discussão. Onde ela foi estimulada pelo comentário se a opinião do Doutor também veio enlatada. Talvez os "kalangos-de-muro" estejam se proliferando muito mais rápido do que o esperado e não sejam típicos de Universidade P ou G, até porque o mundo não é discreto.

Uma boa pergunta, que sempre me faço: qual é a influência intelectual real que a nossas Universidades tem no cenário amazônida ou internacional? Ou seja, qual ideia pode-se encher os pulmões e dizer "essa foi produzida por essas bandas"? Qual é a cara da nossa tecnologia tropical?

Cada um em sua área (não sei quais disciplinas vocês estudam) poderiam citar alguém que pode ser considerado referência, mas especificamente, não a pessoa em si (os pais do resquício do Brasil Império), o pensamento ou a tecnologia desenvolvida.

O cutucão está dado.
Como foi apontado, está aberta a rodada...

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Uma resposta (até hoje a única) foi:
Camarada PG, muito boa sua "levantada de bola" quando abordas a falta de ciência amazônida, que seria o grande diferencial nestes tempos de arena romana com o propósito de salvar o capitalismo. Aliás, toda produção das públicas e particulares começa com o propósito de servir ao mercado, basta observar que enorme parcela de estudantas entra nas mesmas de olho no mercado, ou seja, ambas estão formando acólitos para a igrejinha chamada mercado, com o beneplácito do deus capitalismo que se serve da pseudociência para manter-se como religião.
Um abraço.
Luiz Mário de Melo e Silva. 

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Organizador: Paulo Guilherme Pinheiro

terça-feira, 12 de abril de 2011

Crônica Amazônida

Crônica publicada dia 16 de fevereiro de 1964, no jornal "A Província do Pará", por VERA MOGILKA, jornalista gaúcha, que retratou de modo interessante o Tacacá em diversos dos seus aspectos.



"O tacacá, toma-se? Bebe-se? Sorve-se? Saboreia-se? Não, o tacacá

deseja-se, de repente, como se deseja uma mulher, como se deseja retornar

ao amor da adolescência. O tacacá possui o toque agudo da saudade.. A

memória de seu sabor salgado e ardente assalta-nos sem aviso, em pleno

dia, em determinadas horas de distração. Naquele momento involuntário de

repouso quando, por fim ao cair da tarde sobre o rio, respiramos. Certo e

pequeno instante, dezenas de sugestões cruzam a mente. Todos os atos

gratuitos e cheios de graça da vida: uma criança correndo na grama,

braços em repouso e um regaço, mãe amamentando o filho, avião acendendo

e apagando as luzes na bruma da noite, navio singrando a baía, luar úmido

sobre igarapés - vontade de tomar tacacá. Desejo de tacacá. Porque, para

tomá-lo, é preciso, antes de tudo, um ritual.

É preciso que seja ao anoitecer. Ainda não de todo noite completa; ainda

não dia findo. Àquela hora semi-crepuscular, indecisa e feminina quando,

por fim, o céu se envolve de um azul-cinzento intenso ou aquela chuva

antes da saída da lua. É preciso que estejamos cansados, tão fatigados

que nada nos afigure mais necessá¬rio, naquele momento, do que tomar um

tacacá. Nem o bate-papo informal com o amigo. Nem o café na Central. Nem

o olhar à mulher que passa. Apenas, a pro¬cura, a única procura por um

tacacá, com pouca pimenta ou muita e bem quente.

Depois, é preciso que haja um banco. Tacacá toma-se sentado para que o

corpo repouse e possa se entregar completamente ao prazer de saboreá-lo.

Porque o tacacá é extremamente absorvente. Quando bem feito, o que ocorre

pouco. Pois fazê-lo e tomá-lo é uma arte.

É preciso, também, que a noite desponte ao chegarmos junto ao carrinho de

tacacá E comece a chover, levemente. Faça algo de frio, algo de úmido.

O que não é difícil em Belém. Depois, como estamos cansados e queremos

esquecer, esperamos. Uma paciência longa e calma, até que a dona do

tacacá termine por prepará-lo. De preferência que seja em Nazaré ou

olhando a Igreja da Trindade. É preciso que o tucupi seja leve,

amarelo-canário e novo. Que a goma bóie no líquido, espalhada por acaso

e se mostre apenas por alguns instantes; que não haja muita folha; que os

três ou quatro camarões sejam médios, nem grandes demais ou minúsculo e

somente uma parte deles apareça, a ligeira carne rósea a deixar-se

entrever, adivinhar-se na cuia olorosa. Depois, é preciso que haja sal e

pimenta de cheiro, mas não em demasia; o suficiente para nos queimar a

alma nos primeiros goles e reanimar o corpo; então renascemos para a noite

e a alegria novamente nos habita. O suficiente apenas para desvanecer seu

fervor após esses primeiros goles e tornar-se depois, uma presença

quente, já quase uma memória, na ponta da língua.

É preciso saber tomar o tacacá. Aos primeiros sorvos integralmente seu

calor, sua salinidade, seu gosto de mar quente, de arbusto e molusco que os

lábios experimen¬tam fugidiamente. É preciso que o jambú e os camarões

pousem lentamente no fundo da cuia e venham à boca, por si mesmos, sem o

auxílio dos dedos. É necessário que não sejamos interrompidos. Apenas

um aceno de cabeça aos conhecidos que passam. Um filtro mágico que se

bebe em silêncio e solidão. Somente a comunicação imperceptível com a

tacacazeira: feiticeira moderna numa terra onde as lendas ainda sobrevivem

em um mundo que se materializa inexoravelmente.

Chegados ao fim do tacacá, é preciso que o mesmo ainda se conserve morno,

assim como o fim de um amor. Jamais frio. Não existe nada pior do que um

tacacá frio. É como champanhe sem gelo. Neste momento tomaremos contacto

real com as grandes porções maternais de goma penetradas pelo tucupi e

pela amargura das folhas. Há sempre um gato gordíssimo perto do carro de

uma tacacazeira. Ele comerá, displicentemente, as cascas de camarão que

atirarmos ao chão. A cuia está vazia.

Agora, o mais importante: jamais repetir o tacacá, na mesma noite. A

segunda cuia nunca devolverá o sabor da primeira. O primeiro tacacá

daquele dia é único, autêntico, original, insubstituível como o gosto

do primeiro beijo. Como a primeira entrega de amor. Porque os tecidos de

nosso cansaço e de nossos desejos são satis¬feitos. Porque foi

necessário todo um dia infrutífero e todo um sol de toda uma chuva para

alcançá-la. Todo o equívoco das relações humanas, toda a falta de

solidariedade, de cortesia, de amizade e de comunicação com os outros. A

decep¬ção será fatal se arriscarmos um segundo, fiéis à gula. É

preciso permitir-se um resto de fome, um resto de desejo para o dia

seguinte, um resto de tristeza intransferível. Quando a baía abrir suas

margens de musgo para recolher as asas do dia; quando a lua surgir em seu

halo de chuva; quando chegarmos ao fim de nossas tarefas cotidianas,

então, novamente, sentiremos na ponta da língua a subtaneidade acre do

tucupi.

Paraenses, não vos espanteis com essa narrativa. O que, para vós é banal

e acessí¬vel desde a infância, para um sulista é um mistério, uma

surpresa e um inédito prazer. Muito comum é o visitante de outro Estado

que vem a Belém pela primeira vez e olha, desconfiado, aquele grupo de

pessoas ao redor de um carro de tacacá. Os movimentos das mãos da

tacacazeira lavando as cuias e servindo-as, Os utensílios tos¬cos,

rudimentares. O turista, cheio de suspeitas e de teorias antissépticas,

recusa-se a prová-la com argumentos de falta de higiene. Procura máquinas

a vapor que sequem automaticamente as cuias. Busca torneiras reluzentes de

onde jorre um tucupi sintético e insosso; e só encontra aquela magia

indígena, obscura, incons¬ciente perante a qual recua porque seu

coração não possui mais raízes fixas no mistério da natureza.. Porque

não é mais um homem natural.

Paraenses, vós desconheceis vossas próprias riquezas. Dia chegará a que

o gi¬gante levantará a grande cabeça de florestas de seu berço

esplêndido e o Brasil será redescoberto (não mais pelos portugueses). O

tacacá deixará de ser um usufruto particular e banal. E, em clima frio e

chuvoso como o de São Paulo será servido à noite, entre centenas de

sessões de cinemas super luxuosos. Milhares de tacacás industrializados,

produzidos por intrincados mecanismos de alumínio e aço. E o mistério

amazônico perder-se-á para sempre. Será recolhido ao coração de alguma

floresta ainda virgem, porém, impenetrável e densa. Lá onde os homens

não possam mais capturá-lo e bebê-lo, distraidamente, sem amor e sem

ritos. Lá onde, enfim, seu selvagem sabor repouse intacto e inacessível

no bojo do tempo."

quarta-feira, 23 de março de 2011

Poesia Amazônida


Natureza

Natureza vilipendiada

por Luiz Mário de Melo e Silva

A sociedade voltou seu olhar para a natureza, mas ele não é algo virtuoso. Antes, porém, parece conter considerável dose de desaprovação, por ela (natureza) obrigar a sociedade a perceber sua fragilidade ante o inelutável processo de evolução – sua lei fundamental. Ensejando, por isso também algo pavoroso sendo, portanto, um olhar revelador.  

Num primeiro momento, isso só foi possível devido ao esgotamento de muitas matérias-primas, além da certeza que ocorrerá o mesmo com muitas outras, que, utilizadas na confecção de bens de consumo, garantem destaque a quem os possui em enormes quantidades. Portanto, é pelo desaparecimento de recursos naturais que a sociedade, a contragosto, tende a valorizar a natureza, por  conduzir à perda, que, na sociedade capitalista, nada mais é que prejuízo econômico –  o grande desastre da civilização.

Mas tal valorização encontra certas dificuldades, porque, ao imaginar-se como que apartado da natureza, e, portanto, pretendendo-se superior a ela, o homem, vindo a se organizar em sociedade, criou “leis”, como o consumismo, por exemplo, que atualmente é o padrão a modelar a conduta ética e moral da sociedade, conferindo status político/econômico/social a seus membros por desfrutarem da citada condição - coisa que a imensa maioria não está disposta a abrir mão em detrimento da natureza, mesmo que isso configure risco à sua existência.

Em momento seguinte, e talvez seja o que importa verdadeiramente, as catástrofes observadas mundo afora é o que reforça esse redirecionamento da atenção, pois é mais do que óbvio que elas são sempre humanas e não da natureza que manterá seu curso ad aeternum “sem se importar” com as transformações havidas. Aliás, são estas que definem o que seja natureza, cabendo aos elementos constituintes participarem ativamente do processo. É claro que para o ser pensante e sensível essa condição se assemelhe a uma prisão, coisa facilmente dissipada se atentar para a dinâmica a que está envolvido desde o nascimento.   

Ainda que a relutância em reconhecer a imprescindível importância da natureza para sua existência esteja condicionada por um valor moral que a sociedade, em cada época, reputa como absoluto (o consumismo atualmente, por exemplo), a mesma não pode evitar a natural dinâmica evolutiva impressa, sobretudo, em seu interior, haja vista que esta foi e continuará sendo o que a impele a continuar existindo. Dinâmica, que, aliás, é inerente ao ser advindo da própria natureza, como é o indivíduo, por exemplo, núcleo atômico da sociedade, logo, transformador de si concomitante ao ambiente em que se encontra.

Por que, então, a insistência em manter algo que não escapa à  força da natureza? Porque, ao se pretender diferente dela, o homem, agora em sociedade, se pretende também diferente da maioria. E para tentar preservar-se como tal, determina uma condição a ser ocupada por se julgar superior, pretendendo-se insubstituível, estabelecendo,  então, a ideia de elite.

Mas é um equivoco imaginar-se como que apartado da natureza, ocorrendo o mesmo ao se observar a sociedade com distinção de classes, onde um grupo tende a ser preponderante com sua existência se devendo ao uso da força - ainda que para defender tal distinção haja o argumento da presença de indivíduos superiores devido ao intelecto, ou gênio, algo refutável, haja vista que o intelecto, ou genialidade, se desenvolve na relação em sociedade muitas vezes sob conflitos e não fora dela, comprovando a dependência do indivíduo em relação à coletividade.

Contudo, o mal-entendido que prevalece por algum tempo, tornando-se quase imperceptível para a maioria, chega a um limite insistentemente contornado pela coerção exercida por instituições estabelecidas para garantir o status quo vigente, provocando um acúmulo de conflitos que tende a impedir a percepção da natureza enquanto referência para a humanidade lidar com as dificuldades surgidas ao longo de sua existência.

Ora, nestas condições a negação da natureza levou, então, ao extremo de se pensar não mais a sociedade dada como algo diferenciado da humanidade - o que é saudável -, ainda que para isto seja necessário rever os conceitos impostos como verdades absolutas, pois só assim o conceito de humanidade, no sentido de totalidade do entendimento real de tudo o que é possível e imaginável possa ser atingido em sua plenitude sempre dinâmica. Coisa negada por pensadores vigorosos, como Kant, por exemplo, que sugere que “o filósofo já nasce pronto, acabado”. Noção copiada e seguida por muitos pensadores a serviço da falsificação do entendimento do que seja a natureza, ainda que “involuntariamente”. O que em si adquire a negação da dinâmica natural contida na matéria, no tempo, no espaço etc., isto que se revela como o mais plausível para o entendimento da dinâmica das relações humanas e desta com o meio natural, mas que não pode ser assimilado pelo povo enquanto processo de libertação – pensamento que está mais para a fomentação da fragmentação, do reducionismo do ser humano, logo, da natureza, daí que é algo pensado, calculado, para o domínio desta e, consequentemente, da humanidade.

Daí que, a prática humana, através da transformação do meio e, consequentemente, de si mesma, no processo das relações sociais, como ensinou Karl Marx, tende a ser a linguagem mais plausível do que seja a natureza e esta, mais do que nunca, não pode estar sob o controle de um centro, de um pequeno grupo, que sempre a vilipendiou e, com isso, usurpou sua condição de referência de manutenção da vida. 

E as tragédias, as falências econômicas (sempre humanas) demonstram os limites dos referenciais impostos, assim como foi com o Império Romano, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana e, hoje, o Capitalismo que vive seu estertor, ainda que sob uma tentativa de abafamento desta condição por seus acólitos que ingenuamente imaginam serem destaque, com suas vaga, num corpo moribundo, como o mercado. Contando, assim, com sua idiotização. Por isso a desaprovação e o pavor revelador da sociedade capitalista  - óbvio.

Autor: Luiz Mário de Melo e Silva 
luizmario_silva@yahoo.com.br // 92343620
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoraci (FDMAI)
Icoaraci – Belém – Pará

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

LUCTO

O devir

Definir a vida é algo que escapa ao ser finito, justo por essa condição. Todavia, as infinitas relações numa prática diária tende a ser a aproximação dessa definição, pois a vida é inesgotável e, sendo assim, o individual não atinge a real dimensão do que seja ela, mas alguns, como seus exemplos, conseguem sugerir passos no sentido de facilitar o entendimento.

O professor Benedito Nunes é um desses exemplos. E quem manteve contato, por menor que fosse, com ele não poderia deixar de perceber isso, saindo transformado do encontro.
O mestre era puro devir. E isso o tornara sábio. É tanto que para perceber tal condição em que chegara era necessário a ousadia de confrontá-lo, sem receios.
 
Em uma de suas aula sobre niilismo isso tornou-se de uma clareza solar, quando ao final de sua explanação pediu que perguntas fossem feita, dizendo que elas poderiam ser sobre qualquer coisa.
 
Ora, nada mais perfeito a um sábio, pois, após discorrer sobre o nada sua proposta permitiu que todos aprendessem a partir das condições apresentadas, inclusive o próprio.
 
Naquele momento não havia perguntas absurdas e as supostas ingenuidades contidas poderiam apontar um novo caminho para um mundo em permanentes transformações – e ao transformar o mundo o ser humano transforma a si mesmo, como ensinou Karl Marx.
 
Daí que, o que o professor fez foi tornar-se aprendiz enquanto ensinava, numa dimensão em que só os sábios são capazes de alcançar, buscando sempre o novo numa relação infinita como o saber, sobretudo a partir do contato humano, como pareceu na ocasião. E ao fazer isso se renovava, se transformava permanentemente. Era o devir. A vida, com toda sua magnitude, em pessoa que permanecerá com seus ensinamentos.
 
Autor: Luiz Mário de Melo e Silva (luizmario_silva@yahoo.com.br)
Icoaraci – Belém – Pará.