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"Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas escondidas nele?"
(Douglas Adams, 1952-2001)

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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Ver TV (Ciência na TV brasileira)

Este vídeo trata sobre a Ciência na TV brasileira: como ela é apresentada ao público, quais são os cuidados que o divulgador deve atentar ao transmitir as informações, entre muitos detalhes. Observe, com especial atenção, ao discursso do professor Luiz Barco. Programa exibido em 13/05/2010.
O programa Ver TV é uma produção da TV Câmara.

Bloco I
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Bloco II
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Bloco III
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Natureza (Amazônia e Capitalismo e Reducionismo)

Fossilização da Amazônia

A Amazônia impõe-se a hercúlea tarefa de reordenar o mundo. Todavia, a distinção entre Amazônia e mundo, como fruto da reflexão que se perde nas linhas do tempo, e, hoje, já não pode servir de parâmetro para escrever a realidade, sobretudo quando a humanidade, como sempre, caminha para um novo período de sua História, tem que ser superada.

A distinção se firma no período do Renascimento por ocasião da discussão filosófica em busca da reafirmação do “homem como medida de todas as coisas” (Protágoras, séc. V a.C.). E se dá pela dicotomia mente X corpo que assume a primazia na intelectualidade, vindo a repercutir no mundo contemporâneo, estabelecendo a divergência entre idealismo X materialismo, com a Igreja Católica sendo, por um lado, e o Capitalismo, por outro, respectivamente, as correntes defensoras de cada princípio.


A partir disso, o homem passou a ser entendido como que apartado da Natureza e esta estranho àquele, facilitando a manipulação de ambos pelas elites dessas correntes, cada qual a seu tempo. Para a Igreja Católica, o homem é desprovido de autonomia, destinado a purgar seus pecados na Terra a espera da redenção no Juízo Final. Já no capitalismo, “tudo se torna mercadoria” (Karl Marx), ocorrendo o mesmo ao homem, por um processo de alienação (ibidem). O poema “Eu, etiqueta”, de Carlos Drummond de Andrade, é bastante conclusivo quanto a isto.


Essa dicotomia se aprofundou e reduziu o homem a um ser egoísta. Tese amplamente aceita na sociedade capitalista devido sua ideologia que necessita do homem egoísta para, na disputa em satisfazer seu egoísmo, obter lucro máximo como objetivo. Aceitação que conta com o beneplácito da ciência, por exemplo, pela voz de Richard Dawkins quando diz que “todo ser vivo é egoísta”.


A ideologia em questão não se sustenta, pois é de uma contradição terrível quando pretende negar a luta de classes, enfatizada por Karl Marx, mas a mesma luta é imposta a diferentes categorias de trabalhadores como disputa para aumentar a produção e consequentemente o lucro. Já a idéia de Dawkins é refutável quando se observa a ausência do egoísmo em crianças recém-nascidas e até certa idade e em idosos com elevada idade. Outro exemplo é a cadeia alimentar onde a necessidade - e não o egoísmo - é que mantém o equilíbrio. Aliás, Nietzsche, em seu aforismo: “o que está pronto, acabado quer morrer”, sugere que a abnegação sempre prevalece. Mas isso é escamoteado por aqueles incentivados financeiramente para fazer ciência parcial, diga-se. Ou seja, o que é necessidade passa a ser distorcido (corrompido) para consolidar o reducionismo.


Contudo, o reducionismo é percebido em todos os ramos do conhecimento que, além de já fragmentado, se reduz ainda mais quando cada profissão tenta afirmar o que é o homem. É comum ler algo como: você é o que come (nutricionista); é o que administra (administrador); é o que defende (causídico), é o que escreve (escritor); é o que veste (estilista de moda) etc. Ou seja, a fragmentação do conhecimento contribui para a redução do homem. Porém, há exceção como demonstrou o advogado Sérgio Couto ao comentar em artigo recente, em O Liberal, as mentiras da profissão, das quais destaco esta: “o que não está nos autos não existe no mundo”; ou seja: o mundo não pode ser reduzido aos “autos”.


Essa fragmentação deriva do taylorismo (expressão teórica do processo de divisão do trabalho levado a efeito por Frederick Taylor, 1856-1915) e é intensificada pelo padrão da linha de produção fordista (Henry Ford) para produtos industrializados, que se estende para o mundo através da Divisão Internacional do Trabalho (DIT). Neste sentido, o reducionismo preza pela formação tecnicista em grande maioria na sociedade, produzindo mão-de-obra “qualificada”, que, em disputa velada com outras áreas técnicas, mantém a ordem capitalista como sistema organizacional da sociedade ao contrário da formação humanista que almeja uma cosmovisão.


Daí que, o desenvolvimento imposto a países periféricos, como o Brasil, por exemplo, que tem na Amazônia, pela sua biodiversidade, a referência para uma nova era, é algo anacrônico, portanto reducionista; pois além de impedir o usufruto, de maneira peculiar, da riqueza material que possui, dificulta também a prática do humanismo com a cosmovisão.


Há, contudo, resistência a essa imposição. Dentre algumas obras de autores da região, Verde Vagomundo, de Benedicto Monteiro, por exemplo, demonstra não apenas a dimensão humana, mas, também, a sintonia homem/Amazônia/mundo, ensejando uma nova era. Outro trabalho, enriquecendo essa proposta é apresentado pelo professor João Batista do Nascimento (www.cultura.ufpa.br/matematica/?pagina=jbn), quando observa que o ensino de matemática seria de fácil aprendizagem utilizando figuras geométricas da arte Marajoara. E é algo que compete à humanidade tentar compreender e seguir.


Mas tudo isso é violentamente escamoteado pelo reducionismo educacional existente no país, que fica cada vez mais patente quando da imposição da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHBM), como única capaz de produzir energia, segundo a intelectualidade fossilizada pelo reducionismo financeiro - e, portanto, senil -, que não concebe a visão de produção compartilhada entre matrizes energéticas presentes naturalmente na Amazônia, pois esta - assim como a humanidade, ainda que não queira perceber – sempre existiu com duas fontes primárias de energia, que são: o sol e os alimentos.


Portanto, o reducionismo praticado como educação evita a superação da dicotomia entre Amazônia e mundo, impedindo que o povo amazônida se perceba como Natureza, numa simbiose que mostra o potencial e dimensão de ambos (dimensão tão bem captada por Shakespeare no célebre conflito pessoal “Ser ou não ser?”, que reconhece a opção como prerrogativa da inteligência), fazendo disso o exemplo a ser seguido pelo resto do mundo, é a fossilização que o capitalismo pretende impor como reflexo de sua cultura fetichista, reificada e alienante (Karl Marx) à Amazônia – coisa que não é possível aos da espécie irracional (sem cultura, portanto) que não reduzem a Vida ao capital.


Autor: Luiz Mário de Melo e Silva
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI).
e-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br

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Eu, Etiqueta
(Carlos Drummond de Andrade)

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Matemática no Brasil

LAURO SODRÉ (17/10/1858 - 16/06/1944)
E O FRACASSO DO ENSINO DA MATEMÁTICA NO BRASIL


¨Todos aplaudiram, felizes por ver tombar sobre a cabeça de um só desgraçado o golpe que cada um temia para si mesmo.¨
(Virgílio, Eneida)



O paraense Lauro Nina Sodré e Silva tem uma notável biografia de serviços prestados ao Brasil. Foi o primeiro Governador Republicano do Pará e Representante Constituinte eleito pelo Congresso Constituinte do Pará, Governador eleito (1916), Senador três vezes pelo Pará e uma pelo Distrito Federal. Além de outros cargos de relevância.

No sesquicentenário do seu nascimento, assim como em qualquer dia, Lauro Sodré espelha maravilhosamente o que hoje o Brasil menos tem, poucos sabem o que seja até, e quase não encontramos mais, que é Educação de Qualidade. E a primeira tragédia é que não sendo explicitado ser de qualidade, no Brasil pode significar até coisa escatológica. Começa que Lauro Sodré foi aluno dedicado e brilhante, que é a matéria fundamental para isso. Além de ter tido docente da qualidade do nosso Benjamim Constant (1836 - 1891), o qual foi isso com todas as letras.

Aos esquecidos ou quem nunca soube disso, educação de qualidade produz profissional de qualidade, donde exclui todo que permite que os fundamentos da sua arte transpareçam coisa de sabujo ao forjar um caráter que faz aquele agir na defesa desses sem que se deixe intimidar por caras feias pelos corredores e nem por sofrer todo de perseguição. Já levar tapa fica possível por conta de haver coisas inevitáveis. E, não foram poucos os episódios nos quais Lauro Sodré demonstrou ter personalidade. O mais importante, acho, foi quando Deodoro da Fonseca (1827 - 1892) perpetrou um golpe militar e Lauro Sodré foi o único Governador que discordou frontalmente de tal aventura; sabia que tinha poucas chances de continuar vivo se perdesse, assim como foi o único a não ser destituído ante o fracasso do golpe.

Para adentrar no tema matemática, digo que educação de qualidade, por exemplo, considera de nível reles quem se diz professor de matemática e, como já ocorreram inúmeras vezes em provas de matemática do vestibular da UFPA de conter questões errada, esse fica calado ante tal desgraça, pois sua moral não lhe permite que sequer pense em melindrar o sistema. Já salafrário, acho, quem defende que na UFPa não é possível fazer se não for assim. No entanto, tudo isso é coisa que (re)veste a parte profissional de tais seres com os farrapos mais imundos. Isso porque Lauro Sodré é o primeiro docente paraense de matemática com formação específica de todos que já pesquisei, cujo mentor maior foi Benjamim Constant.

Todo aquele que tem uma idéia do fracasso que é o ensino da matemática no Brasil, uma tragédia de fato, não deixa de perguntar se já houve outra possibilidade. E, muitos têm dúvidas se isso faz alguma diferença, já que tudo no Brasil parece seguir muito bem, até possível ingressar em curso de engenharia, sem precisar saber de quase nada disso.

Para quem não sabe do nível inqualificável do ensino da matemática no Brasil, citarei apenas quatro fatos, todos já encaminhados para conhecimento de Ministério Público Federal, que há em livros didáticos aprovados e comprados pelo MEC:

1 - Livro das Séries Iniciais ilustra o número 7 com um gatinho sendo jogado do sétimo andar;
2 - Livro das Séries Iniciais induz separar a Amazônia do Brasil;
3 – Livro do Fundamental contém problema que até já foi tema em prova de vestibular, redigido em língua inglesa;
4 – Livro do Ensino Médio ensina de forma errada quais são as dimensões da Bandeira Nacional.

E que fique esclarecido. Ainda não foi registrado nenhum caso duradouro de desenvolvimento sem uma boa base do ensino da matemática e do educacional como um todo. E desenvolvimento nunca foi ter processo econômico que se aporte no uso de mão de obra tipo bóia-fria para ter lucratividade esplendorosa, pois até já vivenciamos isso com o Pau-Brasil, o Café, a Borracha, etc. Que o Brasil está fazendo mais uma tentativa para ser o primeiro em contradizer isso, é fato.

Já uma tentativa que houve capaz de qualificar o ensino da matemática no Brasil foi essa embrionária de Benjamim Constant. Isso porque tinha Liberdade na sua base essencial, que é o primeiro e mais primordial fator de qualificação. Pois, sem isso treinamento técnico fica possível, mas nunca Educação; conhecimento técnico por si só até constrói império, mas nunca uma Nação no sentido positivo, em que cada indivíduo tem os mesmos direitos e os mesmo deveres; o fracasso desses ideais é no Brasil é retumbante, pois, temos cidadão na primeira classe, quem tem poder para gastar recursos públicos, e na última, quem nem pode perguntar como o primeiro gastou isso e ainda permanecer vivo.

Fica patente que ante tais ideais, o fazer educacional é muito além do que estamos praticando no Brasil: fazer o aluno fica sentado algumas horas ouvindo alguém falar de algumas coisas. E uma referência construída em Belém-Pa foi o Colégio Público Lauro Sodré. No qual, conhecimento técnico e desenvolvimento da pessoa humana, estavam alinhados. E, na década de 90 os seus estudantes, ante a ruína desse em todos os sentidos, empreenderam uma luta pela restauração de tão magnífico exemplar.

Ocorreu que autoridades paraenses entenderam tais manifestações no sentido de estrutura física, cuidando logo em construir um prédio novo e escrever no portal: Colégio Lauro Sodré. Deram um passo mais para trás, jogando no lixo todas às concepções de educação que Lauro Sodré sempre defendeu-as, por fazerem deste uma escola pública tal qual uma comum. Basta dizer que, no tempo em que se chamava de fato Colégio Lauro Sodré, disciplinas que só agora estão introduzindo-as na escola pública, tais como: música, filosofia e sociologia, etc, era mais do que comum nesse, integrava naturalmente o processo educacional.

A derrocada promovida com essa ação no ideário de Lauro Sodré ilustra ainda outro fator da educação de qualidade: isso só acontece destruído até os simbolismos mais altivos da humanidade. Pois, restauraram o majestoso prédio original do Colégio Lauro Sodré - sendo tal majestoso pelo fato do comum onde tem um letreiro com nome ¨Escola Pública¨ é ser um cubículo - e instalaram ali uma instância do Judiciário. Mais ainda, ficam próximas de três escolas públicas, todas cubiculares, e o muro que separa esse de uma dessa, a qual nem tem letreiro completo, possui arame eletrificável.

Só a idéia de fazer cinzas de uma escola pública e soerguer disso um magnífico palácio para abrigar quem possa fazer justiça, já é falsa por natureza. E, ao transferir o nome Colégio Lauro Sodré para outro prédio, renovar todos os seus mármores e pintá-lo reluzentemente, não deixa de convencer muita gente ser dispendioso, crime até, colocar estudantes da rede pública nesse lugar. Só que isso, e até exatamente por isso, alguns deles não deixaram de entrar em tal palacete como réu.

Finalmente, escrevo Lauro Sodré, sem ser precedido de algum dos seus honrosos títulos, por ter certeza de que só isso já transcendente muitos dos que estão hoje na vida pública nacional, mesmo que não veja Nele nada mais do que um Educador Sério e um Cidadão Brasileiro.


Ex-colégio Lauro Sodré. Atual Tribunal de Justiça do Estado do Pará.


Autor: Nascimento, J.B.
www.cultura.ufpa.br/matematica/?pagina=jbn, 01/08/08

http://lattes.cnpq.br/5423496151598527