--------------------------------

"Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas escondidas nele?"
(Douglas Adams, 1952-2001)

Fale com O Pirata!!!

opiratadamata@gmail.com
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Livro: Algumas Mulheres da História da Matemática (João Batista do Nascimento)



Este livro pode ser baixado no "link" a seguir: "Algumas mulheres da História da Matemática"

Sunshine

Arnaldo Baptista

I'm gonna see the rays of the sunshine
Antes do outro comercial.
E baseado num céu genuíno
Estrear no carnaval
Não sei se a guerra é na próxima sexta
Ou se é lá no outro canal
Enquanto isso sinto a fome do rico
Neste trânsito infernal
Quero cantar no meio da chuva
Lá no fundo do quintal
I'm gonna see the rays of the sunshine
No eterno azul do mar

Sunshine, sunshine
Sunshine, sunshine
Eu sei que o mundo está superpopulado
Mais não há ninguém no meu quintal
Não sei se tenho o rei na barriga
Mais um frango não faz mal
Como vai você ? tudo bem?
Assistiu o futebol, áuuu!!!!
Podes crer, tudo bem, tudo,tudo, tudo isso, é melhor e não faz mal
Listen!
Sunshine, Sunshine!
Sunshine, Sunshine!
All right now!
Come on listen to me!
I wanna see, I wanna see the rays of the sunshine
I wanna see, I wanna see the rays of the sunshine
I wanna see, I wanna see the rays of the sunshine
Come on listen to me!
Yeah!
I wanna see, I wanna see the rays of the sunshine
I wanna see, I wanna see the rays of the sunshine


quarta-feira, 21 de março de 2012

A Cultura, via Educação, é o Caminho.

Adorno: S.A.

Por Ricardo Musse

Adorno rejeita peremptoriamente o modelo expositivo dos sistemas filosóficos. Recusa neles o idealismo implícito no propósito de construir uma “totalidade para a qual nada permanece exterior e todo e qualquer conteúdo se volatiza em pensamentos”.

Mas, sobretudo, considera-os como mera reiteração da razão burguesa, orientada pelo princípio da troca, que tende a tornar comensurável a si mesma e assimilar todo o existente.

O sistema não pode ser o norte da teoria, precisamente porque é práxis, porque é “nessa direção que se move o mundo administrado”. Se a reflexão pretende ir além daquilo “que está meramente presente, que é dado”, se tiver o seu impulso na crítica, na resistência, na negatividade, ela deve ter a liberdade de interpretar os fenômenos de forma desarmada. Ela deve ser, em suma, antissistemática.

Uma das entradas pela qual Adorno procura compreender o sistema capitalista consiste na atualização da dicotomia entre dinâmica e estática – conceitos propostos inicialmente por Auguste Comte e redefinidos por Karl Marx como uma dialética entre forças produtivas técnicas e relações sociais de produção.

No diagnóstico de Adorno, hoje “as relações de produção detêm a supremacia em relação às forças produtivas”. Inverte-se assim a previsão de Marx de que o ritmo do desenvolvimento técnico tenderia a implodir a sociedade petrificada.

A prevalência do estático, do sempre igual, no mundo administrado, não desmonta, no entanto, a pertinência da análise marxista do capitalismo.

Ao contrário, Adorno reafirma seus pontos essenciais: a crítica da dominação exercida por  meio do processo econômico; o protesto contra a opressão social tornada anônima (que caracteriza, valendo-se de uma frase de Nietzsche, como “nenhum pastor e um só rebanho”); a denúncia da reificação como fonte da ausência de liberdade (“os homens continuam não sendo senhores autônomos de sua vida; tal como no mito, esta decorre como destino”).

Adorno não considera superada nem mesmo a tão contestada teoria das classes sociais. As tentativas de refutação, adverte, partem em geral da suposição equivocada de que as classes são delimitadas no âmbito da consciência. A determinação objetiva assenta-se, no entanto, na sua posição no processo produtivo, na propriedade (ou na capacidade de dispor) dos meios de produção.

Uma vez que o próprio Marx concebeu a consciência de classe como um epifenômeno, a integração do proletariado nas sociedades industrializadas do Hemisfério Norte não indica que a classe tenha desaparecido.

Concorrência e hierarquia

No mundo contemporâneo, o processo de acumulação do capital – logo, a reprodução das classes sociais e das relações de propriedade – depende cada vez mais da administração do Estado, que opera como “capitalista total”.

Nesse cenário, “o estado de espírito fixado e manipulado torna-se um poder efetivo”: “A organização da sociedade impede, de um modo automático ou planejado, pela indústria cultural e da consciência, pelos monopólios de opinião, o conhecimento e a experiência dos mais ameaçadores acontecimentos, das ideias e teorias essencialmente críticas, paralisando a capacidade de imaginar concretamente o mundo de um modo diverso de como ele dominadoramente se apresenta àqueles por meio dos quais ele é constituído” (Adorno, “Capitalismo Tardio ou Sociedade Industrial?”).

Na economia capitalista planejada, convivem em contradição “o princípio tipicamente burguês da concorrência” e a “dominação direta” sob a forma de “hierarquias fechadas de tipo monopolar”.

A paradoxal coabitação de princípios antagônicos – cristalizando a relação, antes dinâmica, entre mercado e Estado, num contexto em que permanece indeterminada a prevalência da lógica econômica ou das diretrizes políticas – resulta da expansão do fenômeno que Marx destacou como matriz da sociabilidade burguesa: o fetichismo da mercadoria.

Adorno reitera assim o qualificativo que Marx atribuiu ao capitalismo – “sociedade do trabalho alienado” –, procurando examinar como a coisificação se alastra a partir da produção ciência como o inconsciente dos indivíduos, reificando não só o âmbito do processo de trabalho, mas também as atividades no tempo livre e, assim, a própria esfera da vida imediata.

A maior parte do tempo livre na sociedade capitalista é despendida no entretenimento, mais precisamente nas inúmeras formas de diversão proporcionadas pelos modernos meios de comunicação de massa.

A politização da arte, preconizada por Walter Benjamin nos anos 1930, frutificou, segundo Adorno, em outro registro, como um mecanismo de despolitização da sociedade. Com a emergência da indústria cultural, constitui-se uma nova forma de domínio e integração social, na qual as massas não configuram o elemento ativo, como Benjamin desejava, mas pura passividade.

Mundo administrado

Não se trata apenas do fato, já presente antes, de que as mercadorias culturais se orientam conforme as leis de valorização do capital, e não segundo seu “próprio conteúdo e figuração adequada”:

“As produções do espírito no estilo da indústria cultural não são mais também mercadorias, mas o são integralmente. Esse deslocamento é tão grande que suscita fenômenos inteiramente novos. A indústria cultural transforma-se em public relations, a saber, a fabricação de um simples assentimento, sem relação com os produtores ou objetos de venda particulares. Vai-se procurar o cliente para lhe vender um consentimento total e não crítico, faz-se propaganda do mundo existente, assim como cada produto da indústria cultural traz em si seu próprio marketing” (“A Indústria Cultural”).

Adorno contesta as justificativas mais corriqueiras (e plausíveis) da indústria cultural. Uma defesa objetiva não se sustenta porque a indústria cultural não resiste ao confronto com aquilo sob cujo disfarce se apresenta: a obra de arte.

Ela deturpa assim o próprio conceito de cultura. Subjetivamente, ela tampouco se legitima, pois o consentimento que alardeia reforça nos indivíduos apenas a autoridade e o conformismo.

O mundo administrado descrito por Adorno não se confunde, porém, com o “sistema total”, a sociedade sem brechas, aterrorizante, construída por George Orwell no romance 1984. Adorno conclui, por exemplo, sua conferência sobre o tempo livre destacando que os produtos da indústria cultural, que se apresentam de forma tão impositiva, não deixam de ser recebidos com algum grau de ceticismo:

“Se minha conclusão não é muito apressada, as pessoas aceitam e consomem o que a indústria cultural lhes oferece para o tempo livre, mas com um tipo de reserva, de forma semelhante à maneira como mesmo os mais ingênuos não consideram reais os episódios oferecidos pelo teatro e pelo cinema. Talvez mais ainda: não se acredita inteiramente neles. É evidente que ainda não se alcançou inteiramente a integração da consciência e do tempo livre. Os interesses reais do indivíduo ainda são suficientemente fortes para, dentro de certos limites, resistir à apreensão total” (“Tempo Livre”).

domingo, 19 de fevereiro de 2012

e nos dias de carnaval...um pouco de "minotaurolização"!

 
Belém


Por Luiz Mário de Melo e Silva 
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
luizmario_silva@yahoo.com.br / Tel.: 83636720Icoaraci – Belém – Pará.

Esta cidade só não é o inferno como o definem seus teóricos porque é necessário haver total consciência de seu significado, coisa que a grande maioria carece. Da mesma forma que não é o paraíso, sugerindo haver um meio termo onde os ocupantes dessa faixa (a grande maioria) é tratada como algo a flutuar n’água que vai e volta ao sabor das ondas.

Esse ambiente é moldado por duas correntes de pensamento que dominam o mundo, ou seja, o idealismo e o materialismo. A primeira, controlada pelas igrejas e a segunda, pelas instituições econômica-financeiras, respectivamente, que convivem harmoniosamente.

Por um lado, o grande número de entidades religiosas, dos mais variados matizes, tende a fazer de Belém uma réplica da Idade Média, onde o povo tinha como condutor um pastor (perdão pela rima), a interpretar (criar) a realidade de acordo com sua doutrina (interesse) religiosa – ainda que a Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana tentasse impedir tal ambiente.

Pela religiosidade emanada dessa situação, há de se imaginar que todos estão sentados ao lado direito do criador. Portanto, no paraíso celestial.

Porém, do outro lado, há o que se poderia pensar como o pior dos mundos, segundo a visão dos religiosos, ou seja, o ambiente secular, materialista, onde os homens têm que suar para, com o fruto do suor, purgar seus pecados e garantir a sua e a manutenção dos seus (o que significa dizer que o trabalho é a pena pelo pecado, ou de outra maneira, ao se darem o trabalho de pensar e se alimentar por si só, como fizeram Adão e Eva, segundo as Escrituras Sagradas, ambos cometeram o pecado da desobediência, logo, o trabalho é pecado – assunto a ser abordado oportunamente).

Esse mundo materialista é dominado pelo dinheiro que seria seu legítimo representante por fundir todo significado de materialismo em algo de fácil transporte, como são as cédulas que representam as variadas moedas de cada país. É o capitalismo imperando.

É interessante observar que em Belém se desenrola toda a História do capitalismo, desde seu surgimento ao total desenvolvimento. E nela estão contidas as fases do sistema econômico, iniciando com a economia comercial (feiras), passando pela economia industrial (indústrias) e a economia financeira ou especulativa (bancos).

Na primeira fase, o mercado informal se assemelha aos antigos burgos de onde se originaram os burgueses e está localizado (e por isso tende a chamar maior atenção) em torno dos “castelos” (que em certo sentido são as mais antigas instituições político-jurídico-administrativo) que fundaram a cidade, sendo o centro econômico que, para muitos, se parece ao mercado persa da antiguidade, ou indiano.

Isso torna a cidade caótica justamente porque a ida ao centro inicia com levas de pessoas e veículos de hora em hora, a partir de seis horas da manhã, até o acúmulo total de veículos naquele espaço e tem o refluxo, com todos tentando voltar ao mesmo tempo, por volta das 17:30hs. Isso se agrava pelo excessivo número de automóveis circulantes que aumenta exponencialmente em oposição ao de vias de escoamentos. Ou seja, a bagunça se deve à velha prática de seguir a elite. Dúvidas?

Quanto às indústrias (segunda fase), as áreas litorâneas são as mais utilizadas, como ocorre por toda orla de Belém, sobretudo no distrito industrial de Icoaraci num velho conceito de indústria que se utiliza desse meio de escoamento de seus produtos com a produção tendo como finalidade o mercado exterior, ficando a degradação (crime) ambiental provocada por esse tipo de atividade com o distrito, num total descalabro com a população e o ambiente do entorno dessas indústrias, praticadas pelos curtumes e fábrica de farinha de detritos de pescado, por exemplo, que estão sendo acionadas na justiça por haverem poluído e matado o Rio Piraíba.

No que se refere aos bancos (último estágio), só está faltando algo semelhante à bolsa de valores, porque, como demonstrado em matérias jornalísticas, a especulação financeira, via empréstimo consignado, sobretudo aos servidores públicos municipal, estadual e federal é algo sem paralelo na História. Aliás, isso parece garantir o Banco do Estado do Pará (BANPARÁ).

Essas correntes continuam vigorosas na disseminação de seus princípios, mantendo a população prisioneira, num círculo vicioso sem aparente tempo para acabar.

Ou seja, se há algo que explique o caos que assola Belém é importante, então, observar de modo acurado os meandros dessas correntes e daí extrair a interpretação que a cidade se equilibra sobre a superestrutura ideológica, onde cada qual possui o controle de metade da sociedade, numa parceria inédita na História, como observado por ocasião do período ciriano.

É de conhecimento geral que a burguesia solapou a condição de centro do mundo, posição ocupada pela da Igreja Católica Apostólica Romana, apeando-a do poder e assumindo seu lugar.

Ora, na disputa para a conquista e manutenção do poder, a ação da burguesia sobre a Igreja Católica seria motivo para isolá-la ou - quem sabe - eliminá-la, mas não é isso que se verifica e no período da quadra nazarena, torna-se claro a mais esdrúxula parceria. Nela os adversários mortais de ontem são os mais harmoniosos sócios atuais no empreendimento de manter o povo em cativeiro sem que ele perceba.
No período de peregrinação da “santinha” os representantes da igreja levam-na para abençoar e angariar apoio de todas as instituições econômica-financeiras nos níveis descritos anteriormente. Dois maiores representantes desse segmento da sociedade são a Vale e os bancos, o que torna pertinente a pergunta: como pode “alguém” abençoar e – por isso – desejar a manutenção no poder a quem o derrotou e tomou seu lugar?.
Alguém, fiel à doutrina cristã (justamente por isso) poderia afirmar que os inimigos devem ser perdoados, como ensinava Cristo aos seus seguidores que ao apanhar em uma das faces, em sinal de perdão, oferecesse a outra, selando a paz.

Seria isso que ocorre mundo afora, sobretudo em Belém sob a bênção da Virgem de Nazaré? Sendo assim, por que ambas correntes não conseguem convencer os belenenses a seguirem seus exemplos e comungar da paz, ao contrário do ambiente de desamor e guerra que paira por sobre a cidade? Talvez a ciência possa explicar esse bizarro fenômeno que, pelo que aqui ocorre em termos de violência, em geral, contrastando à paz selada entre os antes adversários, coloca-nos em destaque nacional e até mundial.

Aliás, ciência é algo que parece alheia à cidade, pois como pode um processo de evolução, de desenvolvimento com o uso dela (ciência) são ser perceptível para amparar o grosso da população? Sim, porque Belém, como capital de um estado riquíssimo, ainda padece de coisas que há muito deixaram de ocorrer em locais apoiados por essa magnífica “ferramenta” humana, como é a ciência, “crescendo como rabo de cavalo”, ou seja, para baixo, numa expressão do jornalista Lúcio Flávio Pinto?!

Ou será que se pratica pseudociência por estas bandas? Pois como pode o mundo correr para se adequar às “regras” da natureza enquanto Belém, ao contrário, busca um padrão arcaico de cidade, com o esgotamento das vias de transportes com o absurdo aumento de veículos circulando, com o escoamento das águas pluviais e domiciliares em esgotos a céu aberto sem o tratamento, para reaproveitamento do precioso líquido lançado neles etc?

Ou seja, encravada na região amazônica, Belém poderia ser referência, para o mundo, de cidade mais adaptada à natureza num claro entendimento que ciência é sua linguagem refinada e, portanto, se comportaria como produtora e praticante de conhecimentos novos a partir dessa condição e posição geográfica – coisa que não ocorre. E – o pior - a concepção que Belém “é a terra do já teve” tende a mantê-la como algo que não se desenvolve (ou não pretende tal coisa), pois tudo aquilo que é tido como perdido são coisa que nunca foram suas genuinamente, originais. São cópias impostas de culturas que não se sustentam justamente porque a matriz (colonizadora) dissemina concomitante a isso, certamente de maneira proposital, também a fraqueza de personalidade alimentada por um tipo de caráter que preza a subserviência, suficiente para fomentar a mentalidade saudosista, logo, escravista.

Assim, a ciência que poderia ser a diferença para sanar problemas históricos, se houver, tende a estar confinada em instituições que as aplica para a formação de uma mentalidade que tem por objetivo manter o status quo, fomentando uma cultura que desconhece as reais qualidades da região. Ou seja, não há pensamento crítico, o que produz uma pasmaceira, um estado de prostração bem observado pelo jornalista Lúcio Flávio Pinto (LFP).

Um excelente exemplo disso, seria a realidade (cultura) que rende culto a Minotauro que nada mais é que a valorização da pecuária em detrimento da piscicultura em uma enorme bacia hidrográfica e riquíssima fauna aquática que seria a base da produção de alimentos dos belenenses, em particular, e paraenses, em geral. Esse tipo de cultura é tão nociva que, ao invés de haver a valorização da produção e sobretudo o consumo de pescado, o que se vê é o aumento de áreas para pecuária bovina, com a alarmante relação de cerca de 3 cabeças de gado para cada habitante do estado e onde rios são aterrados para construção de pastos, numa profunda desconsideração com as características amazônicas, as quais o belenense certamente é fiel depositário - característica escamoteada por algo incorporado como folclore da região, como o Boi Bumbá, por exemplo, o mais destacado representante da “minotaurocultura”, o que deveria ser observado (e ter seu impacto minorado, pelo menos) pelas cabeças ditas pensantes e consideradas paraenses da gema, concentradas na capital, mas que, infelizmente, não acontece, fazendo com que Belém permaneça resignadamente na faixa intermediária, como citado anteriormente, ao invés de superá-la e sugerindo também que todo conhecimento (ciência) é refém e está a serviço da igreja e do capitalismo na divulgação de suas ideologias.

É por isso que em Belém, rumo aos 400 anos, se assiste a agressão e ameaça de morte a quem torna público a verdade, ocorrido com LFP; onde criança com cerca de dez inocentes primaveras é acusada de seduzir e se aproveitar de adulto com idade superior cerca de cinco vezes a sua, com sólida carreira empresarial e formação superior, além de experiente político profissional; onde logradouro público deixa de ser homenagem a personalidade da terrinha, como no caso da ex-av. “Dálcídio Jurandir”, inaugurada no governo de Ana Júlia Carepa, para homenagear algo que vem de fora; onde a maior autoridade municipal, atualmente, foi um falso médico, sugerindo que ela (Belém) se assemelha a um risível protótipo do nada, por se situar entre o céu e o inferno, ainda que seus supostos frequentadores não possuam discernimento suficiente para não se deixar dominar por tais ficções que servem a seus supostos líderes, cada qual caridosos com os seus. Caridade, que, aliás, situa-se (e nutre-se) entre a miséria e a hipocrisia.



sábado, 5 de novembro de 2011

(A Amazônia) é a maior "zônia"?


A Amazônia e Maquiavel

por Luiz Mário de Melo e Silva
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
luizmario_silva@yahoo.com.br / (91) 83636720
Icoaraci – Belém – Pará.

A História não retroage muito menos a natureza e qualquer tentativa em congelar o fluxo de ambas é, no mínimo, crime contra a humanidade em seu processo permanente de evolução. Todavia, isso é tentado constantemente e Maquiavel é convocado para tal tarefa, sobretudo pelos políticos, num claro ato de corrupção.

Quando da produção de O Príncipe, obra que imortalizou Maquiavel, a Itália era  um campo de batalhas entre iguais e seu autor tinha a intenção de unificação – algo diametralmente oposto ao que intentam contra a Amazônia, porque os tempos são outros e como diria o poeta “o tempo não para”, e, por isso,  Maquiavel, mais que algo a explicar , é o complicador.


Se O Príncipe é um tratado, um manual de política para a conquista e manutenção do poder é imperioso pensar, então, que o poder, almejado pela razão, não deve ser exercido por alguns poucos, porque razão e poder tendem a ser os mais elevados potenciais humanos para a manutenção da convivência em sociedade e a razão para tal exercício não deve ter distinções, sob pena de ser algo opressivo porque tende negar a capacidade do pensamento critico para a existência da razão.


À época de seu aparecimento e, sobretudo, pelas circunstâncias em que é elaborada, a obra é mais que necessária, porque renascentista valoriza o ser humano com aquilo que o liberta do obscurantismo da Idade Média, imposta pela Igreja Católica, que é a razão que almeja o poder para a liberdade do ser humano.

Contudo, é importante lembrar que no período renascentista a razão encontra respaldo na incipiente ciência e tem nela uma fortíssima aliada para lutar contra o “poder teocrático” da igreja – aliás, a aliança descambou em tutela da ciência, a qual, hoje, parece ser tratada como instrumento para a manipulação da maioria, e com isso, vindo a torná-la como um arremedo da inteligência (a pseudociência), tendendo a incorrer no mesmo erro que envolve a razão.


No atual contexto, o uso de Maquiavel evoca um passado que não mais retorna, e o que se vê é “o futuro repetir o passado” (...) num “museu de grandes novidades”, como diria o poeta Cazuza. E embora ainda encontre efeitos positivos o florentino está em oposição ao fluxo citado anteriormente, valorizando a máxima de Karl Marx, em que “a História se repete como farsa”.


Ora, isso ocorre porque há a tentativa em manter intacto o status quo do combalido capitalismo que passa por crises intermináveis e só sob trevas tende a se manter inabalável, como ocorreu ao Império Romano às vésperas de sua derrocada, bem como à Igreja Católica, cada qual à sua época, que são exemplos de oposição ao processo de transformação, despendendo, para isso, de grande esforço conservador. E claro que a manutenção – mais importante que a conquista ­- do poder capitalista está na ordem do dia e é preferível a corrupção às atrocidades da guerra (embora esta não esteja de toda descartada) que se espraia aos quatro cantos do mundo, com a globalização.


E nada melhor que a estratégia maquiavélica da corrupção para justificar o fim a que se propõe que é manter o capitalismo. O que se dá por meio da educação repetitiva, enfatizando um centro de controle, como impõem as carcomidas culturas elitistas ocidental e oriental, que se pretendem eternas, muito embora o empirismo, como base do referido trabalho, seja um dado fundamental para a construção e manutenção de algo que se pretenda como real, o que não garante  a eternidade.


No entanto, isso se mostra, no mínimo, perigoso porque como nunca houve uma enorme quantidade de determinada espécie como é a humana, caracterizada pela razão, que não poderá ser impedida por muito tempo de utilizar esse potencial para sua conservação, seu impedimento, em tal circunstância, poderá produzir monolíticos monstros assassinos (um leviatã irracional, por exemplo). Além do que, já não mais estaremos falando de ser humano em sua plenitude e, sim, de algo sem valor (haja vista que este é gerado pela razão) que não merece respeito e consideração; aliás, como vem ocorrendo em diversas situações mundo afora.

Alguém poderia notar que a resistência dos amazônidas à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHBM) poderia evocar um contexto quixotesco. Isso se não houvesse a natureza exigindo sua fatura. E nada melhor de quem ou o quê sempre manteve o elo entre “desenvolvimento” e “atraso” para opinar sobre tema tão polêmico – mas inevitável – como são os índios. Ademais, a unificação proposta por Maquiavel só é possível de ser entendida, atualmente, se observarmos que na natureza ela sempre foi uma constante com o objetivo de garantir a vida por meio da evolução que necessita de todos os elementos existentes, em perfeita simbiose, tornando cada vez mais complexo (amplo) o que surge ao contrário da proposta anterior que é manter estável (ou estático) o que surgiria. 

Portanto, o que se apresentava como novidade, como ocorre ao conhecimento em seu surgimento, tende a se tornar informações, às vezes irrelevantes, com o passar do tempo, embora, ainda assim, possa ser usada como algo positivo por opressores espertalhões contra incautos, obviamente desprovidos de razão crítica, para que estes não percebam o quanto sofrem manipulações e assim, na ignorância, tentam garantir, ad aeternum, a manutenção de uma ordem que se esvai, principalmente por não poder se opor ao tempo concretamente percebido por meio da História e da natureza, sobretudo esta como nova linguagem – aliás, refinada através da ciência, esta que pode ser utilizada para o benefício ou malefício da humanidade, como usou Maquiavel para iluminar o mundo no séc. XVI, e que, hoje, tende a servir para, ao contrário, obscurecê-lo, via corrupção, para justificar a conservação de algo insustentável como a sociedade capitalista/burguesa.  

Algo contra o qual a Amazônia, em sua rica biodiversidade, se apresenta e impõe como divisora de águas. Até porque, para haver Maquiavel é necessário existir Alices, ou doutos Pangloss, que precisam ser superadas para a evolução da humanidade.  


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

por um Anarquismo Amazônida...


Anarquia em relevo

Por Luiz Mário de Melo e Silva

Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci  (FDMAI)

luizmario_silva@yahoo.com.br / Tel.: 83636720

Icoaraci – Belém – Pará.


No dia 07/09, comemorando o dia da independência, o país  foi  tomado por uma série de protestos, sobretudo contra a corrupção. Em Belém, o movimento "Xingu Vivo",  expôs sua contrariedade à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHBM), no Rio Xingu, em Altamira-Pa, além de combater a corrupção.

Se os protestos foram no sentido de garantir e valorizar a res publica, ou coisa pública, por que, então, a aparente contradição entre a defesa e a crítica à coisa pública?

Ora, porque há muito a republica deixou de ser – se é que algum dia o foi – do público, porque o que aí está é privado, particular apossado como foi por meio da corrupção e o autoritarismo do governo, quanto da imposição da UHBM.

Para que isso ocorra, instala-se a anarquia organizada por meio da educação alienante que tem a população como alvo de manipulação e domínio, com a falsa idéia de liberdade para a livre manifestação. Como se vê, tanto a anarquia quanto a república são falsificações – grosseiras, diga-se.

Mas isso não passou despercebido e os autênticos anarquistas reivindicaram, e reivindicarão sempre, o compromisso de fazer valer a verdadeira liberdade ao confrontarem a república instalada no centro da praça com o mesmo nome.

A expressão “VIVA À REVOLUÇÃO SOCIAL” e o símbolo anarquista, escritos sobre o monumento central da praça demonstra o choque entre o que está carcomido pelo tempo e a urgência de mudança em um ambiente que não comporta mais um estado de coisas que beneficia alguns poucos em detrimento da grande maioria - algo só possível porque a população, numa anarquia organizada, é levada a viver  em permanente confronto com os seus iguais, enquanto aqueles que se dizem os responsáveis pela manutenção do bem-estar social só têm olhos para o seu próprio.


Segundo consta nos jornais, a atitude de confrontar a república tinha como alvo “o corte de verba da educação”, como repudiou um manifestante libertário , através da ação e pensamento revolucionários. Pois para uma república corrompida e opressora a valorização da educação não pode ser motivo de liberdade tanto individual quanto coletiva, sob pena de ser letal para os planos de manutenção do status quo.

Mas, como “o que é sólido desmancha no ar”, segundo escreveu Karl Marx, a república que se assiste tem seus dias contados por se sustentar em uma base apodrecida, como é o capitalismo, que vem dando mostra mundo afora de seu esgotamento.

Aliás, só não houve ainda o funeral porque o moribundo assenta-se sobre zumbis moldados pelos educadores “coveiros de sonhos”, estes exímios em desviar a atenção da população sobre a falência em que se encontra a sociedade capitalista, pois se seu cerne (o capitalismo) for colocado sob as lentes da rigorosa ciência (e não a tutelada como ocorreu desde a aliança entre burguesia e ciência, na Idade Média, para combater o poder da Igreja Católica Apostólica Romana, assunto a ser tratado em momento oportuno)  ambos já não se sustentam - o que ainda ocorre porque a pseudociência (fomentada pela veste da educação alienante) empana a percepção de que já não há dinâmica no capitalismo. Até porque atingiu seus limites que são por um lado a economia financeira, ou especulativa, último estágio e, por outro, o mercado que, com a globalização, não há mais para onde expandir (a menos que surgisse outro mercado entre os animais, coisa não de todo impossível nestes tempos de alienação), permanecendo em estado de oscilação constante como se evolução fosse, iludindo, então, incautos num processo de idiotização da humanidade.

Daí que, mais que uma atitude de “vandalismo”, como pretende a falsa república com sua ideologia e o falso anarquismo (logo, sua idéia de vandalismo é falsa) a mascarar o crepúsculo de uma era, com ídolos com pés de barro, a frase com o sentido que a ensejou, sob os pés da estátua de uma criança - símbolo do novo – é, ao contrário, o que mais se apresenta de vigor, num porvir contra a corrupção e o autoritarismo, haja vista que a corrupção e a UHBM são mortes, consequências de uma sociedade decadente e em desespero. E o anarquismo é liberdade, é vida, sobretudo a partir do solo amazônico onde ocorreu o fato em questão. 

Pois, bem como para o amor e para a vida, também para o verdadeiro anarquismo, não existe o futuro. O amanhã é agora, já!

Com muito Amor...


As Vadias
Por Luiz Mário de Melo e Silva 
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
Icoaraci – Belém – Pará.

A humanidade deve sua existência a uma vadia. E que Vadia!, que jamais se submeterá a alguém. Aliás, a tentativa de imposição dessa proposta tem levado a humanidade a sofrer as maiores tragédias de que se tem notícia, coisa que tende a mudar, para a felicidade geral.

A Vadia em questão é a natureza que, na sua vadiagem, deu a luz a quem pretende ser seu algoz e sua porta-voz é a mulher, que, semelhante à vadia-mor, tem vivido as mesmas situações. Na verdade, não há distinções e todas acabam por serem una quando se observa, sobretudo, a capacidade de decidir sobre a vida.

Quem assistiu a Marcha das Vadias ocorrida em Belém, no dia 28/08/10, certamente ficou impressionado e não teve como ficar impassível diante do que se passava, pois as mulheres que ali estavam mostravam uma desenvoltura assustadoramente saudável quando se reflete sobre o que traziam  - e pretendem - seus olhares, gestos, cantos, discursos e palavras de ordem, sobretudo a que dizia “Se o papa fosse mulher o aborto seria legal!, seria legal, seria legal!”. Entre tudo que ocorreu, isso talvez fosse o que mais chamou a atenção.

A palavra era entoada com uma fúria que arrepiava qualquer um, ainda mais se comparada à força da mãe natureza quando se manifesta aos homens através de fenômenos de todos conhecidos.

Também, não era para menos, pois, assim como a natureza sempre foi escamoteada e com isso oprimida, as mulheres, também, historicamente são vítimas de abusos de toda ordem, sejam eles físico, psicológico e ideológico impostos, infelizmente, pela moral masculina - diga-se -, que começa a ser contraditada pela  bagunça que se assiste mundo afora, justamente organizado pelo costume imposto pelos homens – algo inteligentemente percebido pelas feministas quando definem que “a objetividade é a subjetividade masculina”.

Pois o brado em questão, se bem pensado, remete a ideia de liberdade que todos almejam, algo que é inerente tanto à natureza quanto ao ser humano, o que, aliás,  tende a explicar o que se entende por  “natureza” humana em sua mais peculiar característica, haja vista que na primeira a liberdade é total enquanto que na segunda tal pensamento se acha condicionado pela moral – coisa que as mulheres têm tentado superar ao longo dos tempos, embora pareçam não serem atendidas em sua reivindicação.

Aliás, outra coisa em que as mulheres foram muitíssimo felizes foi o fato de não  terem dado à marcha a conotação de algo sexista, pois em consonância com a natureza, que não discrimina ninguém e, ao contrário, nivela a todos e todas ao mesmo grau de importância, e por causa disso fez com que conquistassem mentes e corações de muitos homens ali presentes, ainda que fosse namorados, maridos, amantes ou simplesmente simpatizantes, numa simbiose maravilhosa, onde talvez aqueles homens também se sentissem oprimidos por uma condição que não fora elaborada por eles e acompanhando-as pudessem se sentir um pouco mais livres.

Daí, que venham as Vadias. Pois que, sendo as culpadas pela perda do paraíso, proporcionaram, ainda que com seus sofrimentos, a condição para que a humanidade possa fazer uso da inteligência para alcançar a liberdade, atributos da Vadia maior, tão bem representada pelas mulheres, em sua condição de parideiras (ou não) de algum suposto salvador – coisa que a natureza não tá nem aí. 

sábado, 22 de outubro de 2011

Poesia Amazônida (A Beira)

A BEIRA 
por Amor de Gavião
                                          NA BEIRA EU FUMO ,
                                         NA BEIRA EU DURMO,
                                        NA BEIRA EU NAMORO ,
                                 POÍS ;  NELA EU ME EVAPORO!
                     VIAJO , TRANSCEDO ,TORNO-ME PLURAL,
                                DA HORIZONTAL À VERTICAL .
                    SINTO A NATUREZA A POESIA LITERARIA ,
                  PLURISIGNIFICATIVA , DESCONCEITUAL!

                                   A IMAGINAÇÃO SE ELEVA ,
                                  E NAS ASAS DA FANTASIA ,
                                  O RACIONAL SE DEJENERA ,

                                   POÍS ; NA BEIRA VEJO O RIO ,
                                    HORIZONTES AMPLIADOS,
                                      METAFISICA DA VIDA ,
                                       DA FUMAÇA DO SER ,
                             A LITERATURA DE SEU VIVER !
                                SIM! NA BEIRA EU PENSO ,
                      NA BEIRA LIBERTO-ME DA UNIDADE ,
                              REINVENTO  A  REALIDADE ,
                              VOU PARA  A LIBERDADE!!