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"Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas escondidas nele?"
(Douglas Adams, 1952-2001)

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domingo, 13 de janeiro de 2013

Posia Amazônida ()

--> Um assassino
na noite
o crime a silenciar
cortinas levantadas
justificativas arranjadas
sugadas no bueiro
da calçado, depois da chuva

Cenas partidas
Memórias de um futuro distante
A insegurança de ser você
Produzir na insônia insólita solitária
Dessa noite feliz por estar com você
Lampejos de uma mente cansada
Onde a caneta ganha semi-vida

Flutuando para levitar
Mas isso é antigo
Desde a infância


Madrugada, 07/01/2013

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Poesia Amazônida (Apenas mais um. Ou uma.)

Apenas mais um. Ou uma.

Por Luiz Mário de Melo e Silva*

Mais um dia, entre tantos outros a luz do sol povoou minha retina.
Mas, e a luz da lua?
Sob a qual as bruxas vagueiam em suas vassouras?
Levando sua força; e cura;
E amor; e conforto; e tanto mais?
O sol: “O cara!”
Que raia sobre aqueles que querem a fama.
A notícia do dia seguinte.
Que acordam mais tarde,
Querendo ser o seu senhor?
A referência para o novo dia? O novo ano?
A esse senhor, agradeço por me fazer enxergar...
A Bruxa!!! Me fazer olhar com seuzolhos.
Ah! Quanta falta faz uma bruxa!!!!
Que cura na escuridão da floresta.
Que vela pelos sonos, e sonhos, alheios.
Que, enquanto é apedrejada,
Incorpora a armadura para lutar pelos seus.
Joana d’arc é seu nome, entre tantas Marias, Raimundas, Cremildas...
Idas e vindas da vida!
É o que os machos
Tardiamente, reconhecem.
Mas tudo bem!
A bruxa sob a luz da lua
Está no garçom, no porteiro, na enfermeira,
No policial, no vigia, no padre, no cachorro,
No amor à beira da praia... do rio...no doente...nos hospitais...nas penitenciárias....no povo.
Ah!, como o mundo seria melhor,
Se povoado de bruxinhas,
Fosse administrado pelas geradoras da vida...
Em apenas mais um dia...ou uma noite...

Observados pelos bombonzeiros e...papudinhos!



* Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
E-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br / Tel.: (91) 83636720

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Mestiçagem, AP 470, caixa-2,....


Cultura da hipocrisia

Por Luiz Mário de Melo e Silva
E-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br

A miscigenação até que poderia fazer do brasileiro um povo que supera todas as dificuldades. E que se supera. Mas o que seria o motivo para engrandecimento, ao contrário, é fonte para a derrocada.

Num país tropical, como o Brasil, o cruzamento inter-racial dotaria a população de capacidades para se adaptar e enfrentar as intempéries. Todavia, esse cruzamento estancou naquilo que mais se torna nocivo ao povo, ou seja, a cultura.

Se do ponto de vista biológico tal mestiçamento é benéfico, do cultural, não se pode dizer o mesmo, pois a tentativa de impor a cultura de uma “raça”, criou um ambiente onde viceja a corrupção, numa envergadura nunca antes vista no mundo. Ou seja, é a cultura da hipocrisia.

Sim, porque, tomando como base duas autoridades do país, no caso o ex-presidente Lula e o atual presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa  e, sobretudo, suas respectivas histórias e origens semelhantes haveria de se acreditar que ambas estariam irmanadas no trabalho de fazer deste um país soberano onde vigora a igualdade, a fraternidade, a liberdade e – em última instância - a justiça.

Mas não é isso que ocorre. E esse fato pode ser observado nas críticas que o ministro Joaquim Barbosa recebeu e ainda recebe por parte de muitas pessoas que têm profundos vínculos (ou devem a própria vida, as suas existências) a partidos políticos, como se eles fossem a razão de ser de uma sociedade moderna e não feudal, como ora acreditam - e se comportam - algumas dessas organizações, talvez até criminosas.

Ora, as opiniões raivosas não têm sentido, pois a atitude do ministro foi a mais correta possível, e não poderia deixar de ser, ao seguir, ou prosseguir, na busca da verdade a partir da constatação da maior autoridade do país, à época o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quanto a prática do crime de “caixa 2”, utilizada por seu partido e os demais, em entrevista pública.

Tanta celeuma em torno da Ação Penal 470, popularmente conhecida como “mensalão”, julgada pelo STF, para esconder o óbvio constatado por duas autoridades públicas, tende a uma finalidade: manter a sangria dos cofres públicos. A corrupção.

Ou seja, uma pequena classe (ou “raça”) se prevalece do uso de todas as condições possíveis e imagináveis para ludibriar e impor sua cultura (ou sua razão) a um país. É tanto que o partido que foi atingido em cheio por esse crime, não faz questão de fazer aquilo que pregava na sua origem, ou seja, a união popular, exigindo em praça pública a apuração a fundo do começo e o desenrolar dessa, e de toda, trama macabra que vitima o povo. É estranho. Muito estranho! Será que o esquecimento (para não dizer outra coisa) dessa característica, tão peculiar, que lhe valeu o reconhecimento como o partido mais ético, tem por finalidade fazer valer a cultura da hipocrisia? Ou será  que já está valendo, se tomarmos esta como a República da Corrupção, pois os fatos só se avolumam, numa proporção como nunca antes na História? Estariam tentando poupar alguém? A miscigenação política criou a anticultura, para a miséria de um povo.

Mas como estamos falando de um povo miscigenado, acredito piamente que é possível vencer essa, agora, anticultura desde que aqueles que possuem alguma informação contrária a ela, possa compartilhar com a população para que se proteja, se defenda. Ficar calado sobre ela é alimentá-la. É nutrir a corrupção.

Ou seguir o exemplo da juventude rebelde que não se curva diante de um tempo em que pregar uma coisa mas praticar outra é a vírtu (lembrando Maquiavel). Os exemplos são muitos. Há até aqueles que morrem levados pela hipocrisia (consumo de drogas) mas não se rendem, não se entregam a ela.

Burrizes...

(Até onde vai) o limite de um bosque(?)

fdfd

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Política, superestrutura, sociedade, natureza...

Política em ação
Por Luiz Mário de Melo e Silva*

Já foi dito que “a política é a continuação da guerra por outros meios” e sendo o homem um animal político, segundo Aristóteles, há de se convir que ele vive em permanente estado de guerra - ainda que, aparentemente, não declarado -, ao contrário do que postulara Thomas Hobbes, com seu Leviatã.

Tal situação foi perfeitamente delineada por Karl Marx ao revelar os meandros da luta de classes (ainda que não tenha sido o primeiro a abordar a questão), tendo a economia como fator principal dessa luta que coloca de lados opostos patrões e empregados - esclarecendo, portanto, o sentido exato de política como defesa de interesses e ideias (o que não ocorreu com Maquiavel e Hobbes, pois, embora houvessem retirado o poder das mãos do clero apenas o transferiram aos monarcas, sendo que Hobbes defende a ideia de um estado absoluto, e escamoteando o sentido exato de política mantém, porém, o status quo de uma classe em detrimento de outra muito maior, como se observa até hoje).    

Ora, se política se define como citado acima, por que, então, a grande maioria (o povo) parece aguardar por decisões alheias a si? Óbvio que a resposta é porque, citando novamente Marx, a ideia dominante é a ideia da classe dominante. Ou seja, a burguesia capitalista impõe sua  vontade por meio da superestrutura moldada com sua ideologia, dissimulada no interesse geral movido por uma “mão invisível”- é claro que ela move apenas o capitalismo; bem como movia a fé na Idade Média em favor da Igreja. Isto é, é manco. Logo, é  tendencioso, contrário ao que diz a política.

Haverá quem discorde, mas defender ideias e interesses que não sejam pessoais, pode até ser imaginado como política, mas é algo tão superficial que quem a faz certamente é ludibriada constantemente para seu próprio prejuízo, como acontece como o povo que serve de bucha de canhão para o projeto (interesse) de poder dos políticos profissionais. Neste sentido, o povo não faz política, embora seja sua matéria prima.

É claro que o motivo não é a falta de educação, pois, embora exista, é algo que bitola, produzindo imbecis para servir de massa de manobra. Algumas religiões, por exemplo, são bastantes explícitas quanto a isso, que não à toa, criam fanáticos.

Contudo, para melhor compreensão do conceito de política em tela, seria interessante observá-la em grupos bem definidos como servidores públicos concursados, servidores temporários, profissionais liberais, comerciantes e, sobretudo, a elite que têm seus interesses bem definidos, ao contrário da avaliação feita por classe social, onde a ideia de povo é aplicada, levando à conclusão que ele foi contemplado em seu anseio, coisa que não se verifica na pratica, pela permanente condição de penúria em que vive.

Neste sentido, pode-se perceber, então, a política em ação engendrando as relações sociais sem que, no entanto, seja vista como apanágio de uma pequena classe (elite) sob pena de haver uma sociedade doentia, como, aliás, já se observa com a violência crescente, o consumo de drogas, sobretudo, entre jovens (e adolescentes), por exemplo,  para quem, elas (as drogas) parece ter tomado o lugar da perspectiva de melhores condições de vida.

Portanto, nada mais natural fazer política para entender - e viver - a sociedade, haja vista ser ela o ethos civilizatório e daí a cura – ainda que atualmente seja mais a causa – para as doenças sociais. Pois, assim como o antídoto para o veneno da cobra está na própria cobra, a solução para os problemas sociais encontra-se na própria sociedade. Ou seja, na política desde que praticada, conscientemente por todos, no sentido aqui apresentado.

* Coord.do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI).
E-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br
Tel.: 83636720
Icoaraci – Belém – Pará

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Política, meio ambiente e canalhices!!!

Canalhice

por Luiz Mário de Melo e Silva*

A política, como mecanismo “civilizado” de tomada e manutenção do poder, é reveladora (e autorreveladora). Mas é na campanha eleitoral que atinge o ápice dessa condição, pois, se bem observado, os candidatos, ainda que tentem, através do marquetingue, se mostrar como a melhor mercadoria a ser comprada (sim, porque na sociedade capitalista a conduta moral e o padrão cultural é o hiperconsumismo, sobretudo de supérfluo) só conseguem tal intento de maneira pouco honesta.

Todos devem imaginar que o eleitor é algum palhaço ao se apresentarem com largos sorrisos, como fazem aqueles que já estiveram em algum circo diante de palhaços, gargalhando, enquanto eles (os palhaços) permanecem sérios, alguns com semblantes de tristeza. Mas eles (os candidatos) ainda dizem respeitar o eleitor. Será?

A falta de seriedade começa aí e não tem limites. O que dizer daqueles que tentam esconder a aliança com um partido que tem a fama de ser de corruptos, ao retirar a sigla do partido da bandeira? Ou não assumir publicamente que é filiado ao mesmo? Ou ainda, dissimular, escamoteando a cor predominante do partido que deve prevalecer em sua bandeira, já que ela carrega as mensagens que o partido ou pessoa propõe defender?

Outra questão é o abuso que ocorre depois de eleitos, pois esquecem(?) que são servidores públicos e se portam como donos do cargo público que assumem, passando, então, a impor suas vontades a partir da coisa pública. Aliás, seria interessante perceber que quando se apresentam para um concurso público (e a eleição é o mais original concurso dessa natureza) são cândidos servidores que, com o tempo, se promovem a funcionários públicos e depois se impõem como autoridades. Ou seja, se concedem autopromoções (a redundância é proposital), num ato de desonestidade pública.

Entre vários exemplos há o referente ao público izabelense mais humilde que é vítima de algo assim, num escandaloso flagrante. Quem não se lembra de um evento acontecido em praça pública onde o público (legítimo dono, em se tratando de República) foi impedido de freqüentar tal espaço, tendo, portanto, negado seu direito natural e legítimo? Recorde que entre os promotores estavam a prefeitura e o estado que tem a finalidade servir ao publico e não proibi-lo de usufruir de algo que é seu. Como pode o servidor proibir a quem lhe dá a condição de ser, de existir enquanto tal, a quem serve?! Isto é um abuso, um absurdo e tende a se configurar em crime de lesa-dignidade (ou mais outras coisas), para ficar em apenas um exemplo, já que o espaço é curto para abordar outros casos que serão apresentados oportunamente.

E nesse sentido, algo semelhante e nefasto tende a ocorrer após a eleição justamente por conta do que vem sendo sugerido sob a cor verde, diga-se.

Todos sabem que o verde simboliza a ecologia (ou a natureza para ser mais exato) e quem faz uso dessa cor tem que possuir com extrema responsabilidade o compromisso com a vida, haja vista que a natureza é sua fonte. Mas será que o partido, ou quem dela se utiliza, tem em seu histórico esse compromisso com a natureza, onde todos são seus dependentes? Ou será que só poucos irão se safar em detrimento da maioria caso ocorra algum indesejável fenômeno natural provocado pela poluição ambiental em decorrência do total desrespeito a ela, como acontece com o público constantemente desrespeitado por aqueles que se dizem seus representantes?

Assim uma catástrofe ambiental – e humana - é tão certa que até já foi anunciada por uma tal “onda verde” com um infeliz uso da cor verde em um espaço onde a natureza foi eliminada para dar lugar ao preto do asfalto, como ocorreu na av. Antônio Lemos, segundo o criador do paradoxo que talvez(?) sem perceber, acabou por, vias tortas, homenageando o executor de tal crime ambiental.

Portanto, não há algo mais público que a natureza (as praças confirmam isso). E político que não respeita a natureza não tem respeito também pelo público; mas que de tudo faz para iludir e dominar o eleitor, como acontece no processo eleitoral ao contar com o total apoio de puxa-sacos (e asseclas – e porque não?), revelando-se, assim, numa usina de canalhice.
 

*Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
E-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br  / Tel.: 83636720 – Icoaraci – Belém Pará.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Poesia Amazônida: Teus Olhos

Teus Olhos
por Otacílio Campos
 
Há um vazio em teus olhos
Um doce olhar melancólico
Escurecido de tons castanhos
Ah! Estes olhos
Sempre com esse olhar de quem não vê
Me prende até o íntimo
Aprisiona meus desejos
E tão egoisticamente
Me faz só tua
Nem aquilo que é belo e perfeito
Me faz perder um segundo que seja
Dos teus olhos furtivos
E neles passam meus dias
Passa minha vida
Meu amuleto, teus olhos
Minha luz, teu olhar
E quando cristais em forma de lágrimas
Deles rolam
Me inundam a alma de tristeza
Nublam meu dia inteiro
E como tua serva mais fiel
E amante mais devota
À arte de te querer
Logo trato de mudar o universo
A teu  favor
De mover as estrelas
Se acaso não as quiseres
De trazer a primavera se desejares flores
Ah! Os teus olhos
Que escondem um mundo secreto
Que me devoram, por certo
A cada noite
Teus olhos calmos que me cuidam
Sejam meus, eterno amor.

domingo, 15 de julho de 2012

Amazonês

Cultura Amazônida

Por Luiz Mário de Melo  e  Silva*

Quem desfruta do “paraíso”, jamais precisará de ilusões para satisfazer suas necessidades. È só estender a mão e apanhar o que é de seu interesse, o que tende a fazer com que a avaliação sobre quem vive nessa condição seja de pessoas indolentes, como o corre ao amazônida. Mas isso é coisa que nunca se confirmou e, agora, a verdadeira característica da região se apresenta a contragosto de muitos que pejorativamente tratam os nativos.

Não há como negar que a região amazônica detém tudo o que até hoje foi, é e será vital para a existência da humanidade. E a ciência, como marco das relações entre os povos e pensada como algo distinto da natureza perde tal distinção ser atentarmos que ela é sua linguagem refinada, escapando, por isso, aos cânones vigentes nas academias, se firma como mais uma das riquezas da Amazônia. Portanto, o povo amazônida trabalha e toma “ciência” do fato à sua maneira.

Sendo coerente tal raciocínio, o que leva o povo desta banda ser taxado de maneira depreciativa? A explicação possível é a de que aqueles que aqui chegaram como colonizadores (invasores), tangidos pela pobreza ambiental (e econômica) de seus países, impuseram um sacrifício a quem não necessitava, justamente por possuir as condições fundamentais para manter a si e aos seus. Os índios eram considerados preguiçosos por não se submeterem ao sacrifício, sendo, então, os negros que ocupariam a degradante condição social da escravidão - ora, ao amazônida não cabe a culpa pela miséria de outros povos.

Ocorre que a maneira depreciativa foi a forma encontrada para sufocar, no nascedouro, a cultura original da terra e a introdução da religião Católica e do gado bovino, foram os grande baluarte colonialista a impedir a cultura nativa, relegando-a ao esquecimento.

O boi-bumbá, as festas da quadra junina e, sobretudo, o Círio de Nazaré são as maiores manifestações culturais atualmente. Ou seja, a cultura ao touro (minotaurocultura) somada à ideologia religiosa em nada representam a cultura amazônica em sua originalidade, que tem na culinária e na música (carimbó), a primeira  comercialmente e a segunda, numa pálida aparição, sua referência.

Aliás, o povo que segue o cordão do boi é o mesmo que amanhã seguirá feito gado na corda em direção ao matadouro, como são conduzidos os bois aos abatedouros existentes nos interiores do estado.

Todavia, como dito anteriormente, a falta de força ou de estímulo para atuar no momento oportuno mostra-se falaciosa quando se observa ações individuais e coletivas, como a do jornalista Lúcio Flávio Pinto e do Movimento Xingu Vivo, respectivamente.

O primeiro, com seu jornalismo investigativo, desnuda os bastidores do poder que – diga-se – nada mais é que a sucursal da matriz colonial a impor suas vontades, fazendo este estado crescer feito rabo de cavalo: sempre para baixo. Numa, infelizmente, referência a submissão às decisões tomadas longe – e contra - da Amazônia.

Já o Movimento Xingu Vivo, com atuações enérgicas contra a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, onde seus integrantes se apresentam dispostos a entregar a própria vida pela causa, enterra de vez a idéia de que o povo desta terra não sabe o que quer.

E embora ambos tendam a representar extremos, o jornalista, com nuaces de erudito (elitista talvez) e o movimento, com algo de popular ao serem ferozmente perseguidos como criminosos por suas atuações, demonstram que em nada são subservientes às normas externas, logo, à cultura colonial.

Nesse sentido, tanto LFP quanto o MXV são verdadeiros “símbolos” culturais (ainda que poucos e “lentos”) para esta região e que, no devido momento, se apresentam como se apresenta também a natureza por meio de fenômenos como tsunamis, terremotos, secas, enchentes etc., quando tentam submetê-la a caprichos de poucos em detrimento da maioria; daí não confundir a mansidão como cultura original desta terra.

Sendo que sua verdadeira cultura é da coisa comedida, equilibrada e tranqüila por possuir tudo o que de necessário possa haver para a vida. De quem não precisa se desesperar para garantir o amanhã, pois dotado de toda riqueza possível e imaginável o amazônida é a nova referência para o mundo. Isto se a luta de LFP e do MXV for absorvida como cultura, pois para que esta seja verdadeira há que se impor e não, ao contrário, ser imposta.

Portanto, tanto a luta  de LFP e do MXV é de autodefesa. Não é ataque puro e simples, aliás, nem se deve falar em ataque e sim em reação, pois, para quem possui como único bem a vida em condições de extremo perigo, sua defesa será – óbvio – descomunal.  Como assim também o faz Lúcio em favor da verdade.

Aliás, é de imperiosa necessidade perceber que um povo sem cultura é um povo sem sonho para sonhar... È algo anencéfalo.  E seguir o rio vale mais que seguir o boi, como seguir a verdade é mais importante que seguir a “santa”. 


* Coordenador do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI).
E-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br/Tel.: (91) 8363 6720

Icoaraci – Belém – Pará