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"Não é o bastante ver que um jardim é bonito sem ter que acreditar também que há fadas escondidas nele?"
(Douglas Adams, 1952-2001)

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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Poesia Amazônida (Impasse)

Impasse
Por Nedaulino da Silveiro - Nidau. 
In Caiporismo e outros poemas.

Olha,
Bem!
Procurei presentear-te
É teu aniversário
Porém
Possues todo presente material
que eu quisesse
te oferecer
Mas não faz mal
Tentei, insisti, pensei...
livros, perfumes,
tudo, tudo já tens, Bem
Uma flor!
Que pena amor, pois
entre todas as flores que conheço
És a mais bela
Então notei
Algo de mim... pensei,
a minha vida! quem sabe?
Puxa!
Mas este foi o primeiro presente
que te dei!...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Mitos, muitos.

A Amazônia e a besta
Por Luiz Mário de Melo e Silva 
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
luizmario_silva@yahoo.com.br
 

Os homens sempre procuraram se orientar por algo que irradiasse poder para que, a partir daí, exercessem o controle sobre o mundo.

No início, o mito fornecia as condições para o mando a quem, com certa habilidade, incutisse o medo nos demais, ainda que sua finalidade não fosse essa. E embora já não estejamos mais no tempo em que ele era usado para explicar o que ocorria, muito do que subsiste na sociedade se fundamenta nele (mito) para manter-se como o centro, como ocorre à elite, por exemplo.

E, a menos que a elite haja abdicado de sua pretensão de ser o centro entre os universais, a atitude do norueguês Anders Behring Breivik aponta para essa condição mitológica.
 
Certamente que sua atitude não deve ser encarada como algo isolado. Antes, porém, tem que ser pensada como a reivindicação de algum suposto direito que se esvaiu. Direito este, de ser o centro irradiador de cultura, como há muito tempo se pretendem os europeus. Logo, o ato de Anders tende a se parecer como a tentativa de resgate de um poder perdido.

Dois fatores se apresentam como justificativas para o ocorrido: primeiro, a crise capitalista; o segundo, a questão ecológica.

Todavia, antes da exposição dos fatores é necessário lembrar que ambos são de fundo material e como somos todos materialistas, a retirada dessa base leva à derrocada sem que haja algo sobrenatural a provocá-la, como pode ocorrer a algum ilusionista ao tentar empurrar goela abaixo o motivo pelo qual agiu A.B. Breivik.

No primeiro caso, se usada a metáfora das competições anuais de futebol, onde há ascensão e descenso de clubes, fica claro que a crise capitalista desloca a Europa de uma categoria superior para uma posição inferior na tabela de colocação.

No segundo, utilizando das observações da física quântica, para a qual não há um centro fixo, e talvez nem haja centro (e aqui é necessário compreender que ciência é linguagem refinada da natureza), a natureza, por sua dinâmica, dilui toda idéia de centro, contra a qual lutam os ocidentais a partir da cultura européia.
 
Daí que, a conjugação desses fatores tem provocado o desespero do velho continente e o perigo iminente de queda jamais será pacificamente aceito. Até porque, sendo nórdico, como escreveu Behring, logo, elite européia, como sugere, não se resignará à fatos que fogem a seu controle E como tal, a atitude do norueguês certamente conta com a simpatia de muitos líderes políticos do continente, pois o que está em jogo é a sua sobrevivência, ainda que assentada no mito da superioridade da cultura – o que já deveria ter sido revisto, pois, como exposto anteriormente, o mundo não está estagnado. Ou não?
 
Aliás, se faz necessário uma revisão geral da História quando a questão ecológica (a natureza) se impõe, porque, como bem colocou Karl Marx, ao dizer que num primeiro momento a História se apresenta com tragédia, num segundo, como farsa, a reivindicação sugerida na atitude do norueguês atenta contra a inteligência. Sim, porque durante muito tempo o distanciamento total concernente à importância da natureza para o surgimento do mundo foi a tônica, algo que já não é mais possível hoje, haja vista que a evolução havida permitiu o surgimento da inteligência que é o mais sublime subproduto da natureza, e contra a qual (a inteligência) não há quem ou o que se oponha.
 
E tratar o multiculturalismo como a causa da suposta decadência da Europa enquanto referência mundial, pretendendo que o mundo volte atrás e negue o “trabalho” da natureza no que diz respeito à evolução do mais simples ao mais complexo, já que, a diversidade cultural é análoga à biodiversidade, sendo, portanto, impossível impedir a expansão e surgimento de um novo pensar e ver o mundo como propõe a cultura a partir das mais diversas nuances, é tentar negar mais uma vez a importância da natureza, através da pretensão da superioridade de sua cultura, como sempre fez a elite que se pretende o centro do mundo e que, a todo custo, repudia a idéia de vir a ser apeada de sua mitológica condição.
 
Esse temor só se justifica pela negação das infinitas relações existentes entre os inúmeros elementos da natureza a gerar o novo, como também ocorre com a cultura que semelhante àquela tem somente o adiante e nunca o anterior – coisa que a elite trata como um monólito por tentar manter seus costumes e, por meio deles, suas benesses.
 
Nesse sentido, a Amazônia se faz um manancial de saberes e coisas que, embora se apresente, por comparação, confusa por imposição cultural elitista que despreza o popular, como se primitivo fosse, se contrapõe à besta por ser a natureza materializada e, por isso, traz em seu bojo todo vigor da transformação que descentraliza e unifica permanente todos os eventos presentes, com conseqüências inimagináveis, para daí continuar ad aeternum como a vida. Abarcando, inclusive, a quem tenta tutelá-la com seu discurso falido, como é o norueguês.
 
À insustentável condição elitista diante da natureza cabe a pertinente pergunta: se houver uma elite na natureza, qual seria ela? É a vida que está em pé de igualdade tanto para o mais simples quanto para o mais complexos dos organismos, a resposta. Logo, não há um centro discriminador na natureza.
 
Assim, o ato da besta loira tem que ser enquadrado como crime de lesa-humanidade e esclarecido para o mundo se não quisermos ver repetir outra carnificina em escala mundial, além, claro, da involução da humanidade, porque, do contrário, sua atitude seria uma tentativa de rejuvenescimento da elite – essa açougueira contumaz -, que, por isso, se pretende eterna. E, se assim for, ela (a besta) merecerá, então, um monumento em homenagem pelo feito.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Poesia Amazônida

VEM, MEU BEM
(Nedaulino da Silveira, "Nidau". In: Caiporismo e outros poemas)

A Belém vem,
        Vem meu bem
                     ver Belém
        Vem ver bem
                  o que minha Belém tem

                  Belém do açaí
                       Cupuaçu e maniçoba
                                  e Belém tem também
                       Bacuri e tacacá
                                 vem ver e provar pra ficar

         Em Belém
                     também tem
                     amor e bem, vem
                             vem ver Belém

Vem, vem ver
         Minha Belém
                    de morenas cheirosas
                    e mangas gostosas

         Vem ver o que Belém tem
                     Tem em Belém, pau-rosa
                     igarapés, pirarucu
                           tem em Belém

Ainda em Belém
          Vem vem
                      tem banho cheiroso
                             e pato no tucupi gostoso

         Fica em Belém
                 meu bem, pois...
                 Dois bens: você e Belém
                           vão se dar bem
                                  meu bem!

sábado, 6 de agosto de 2011

Natureza (Pelourinho Nacional)

Pelourinho nacional

Por Luiz Mário de Melo e Silva
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)
e-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br
Icoaraci – Belém – Pará.

Nunca antes na história deste País o complexo de vira-lata esteve tão fortalecido como agora por ocasião da imposição, pelo governo federal, da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte (UHBM), em Altamira-PA.

É de imperiosa necessidade observar que diante do imenso e veloz avanço da ciência e da tecnologia tal empreendimento parece obsoleto, com o agravante da desconsideração da biodiversidade, quando a humanidade caminha em busca de um porvir a valorizar a vida em harmonia com a natureza – coisa que os defensores da UHBM solenemente desprezam ao deixarem de cumprir as condicionantes para a implantação da obra.

Tal situação se assemelha a alguém que se gaba de possuir roupa nova, porém confeccionada com tecido velho. Ou seja, vangloria-se por pretender possuir novidade sem perceber a obsolescência a que está submetido.

Ora, outra não é a índole deste País que se pensa evoluído a partir de idéias carcomidas pelo tempo, como se fosse o exemplo de superação, pois, remontando sua história, veremos que a essência é não possuir essência, já que esta fora esmagada no nascedouro com a invasão européia; aliás, se há alguma originalidade no que se assiste, esta é ser tangido pelos de fora como, hoje, se repete, em nome do desenvolvimento, mais do que nunca, como farsa.

A hidrelétrica de Belo Monte até poderia ser pensada como um monumento desenvolvimentista se não houvesse a percepção da valorização da biodiversidade, como ocorreu no período da Revolução Industrial, havida na Europa, no séc. XVII, onde a Natureza era percebida como algo do passado.  À época, quem, por aquelas bandas, exigisse reforma agrária, seria desterrado. Ou seja, no ciclo evolutivo, os gringos podem ser livres para seguir, e, para os amazônidas, em tempos de valorização da biodiversidade, é imprescindível fazer todo o percurso de outras nações? Se assim for, que tal a reforma agrária na Amazônia?  Isso sem levar em consideração, como o discurso de caráter oficioso impõe, a história de povos originário e que ainda permanecem na região.

Numa observação acurada as barragens se assemelham à cercas, delimitando propriedades particulares; são verdadeiros currais – coisa que nestes tempos de exaustão de alguns recursos naturais, agravado pelo consumo exorbitante, serão cada vez mais evidentes (e contundentes), ainda que venham a possuir outras configurações, como a militar e a ignorância (talvez a de maior investimento para tornar cativos os povos) por exemplos. E na Amazônia, as barragens, são aberrações. Um escárnio à inteligência, à própria Natureza se aquela for entendida como um precioso subproduto desta, sobretudo se o conhecimento, o saber e - em última instância - a ciência se apresenta como sua linguagem refinada.

Essa condição sugere total ausência de uma filosofia e ciência exclusiva do ambiente amazônico, pois, ainda que haja alguma tentativa em produzir algo original nesse sentido, todo esforço tende a ser influenciado por doutrinas estrangeiras, comprometendo negativamente tal propósito, além, claro, de contar com a incompetência (para lidar com o interesse público nacional, diferente do privado internacional) do governo, como bem demonstra o Profº Dr. Mário Ramos Ribeiro, no artigo “Uma corte internacional para o meio ambiente”, (O Liberal, 11/06/2011).

No referido artigo Ribeiro comenta que o francês Brice Lalonde, secretário executivo do comitê preparatório para a Conferência sobre o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (Rio+20), em 25 de maio passado, “defendeu a criação de uma corte internacional para o meio ambiente”, onde “Por ser um tribunal da Nações Unidas, ele teria o poder de gerar normas de força jurídica imediata (“legally binding”). Teria o poder de “distinguir na Amazônia quem e quem”. Dizer qual atividade econômica seria carbono-intensiva (usaria de energia não renovável, como o combustível fóssil), e qual atividade econômica seria de baixo-carbono. Possuiria ainda a faculdade de “punir”, sancionar, determinar embargos, de definir “regras de procedimento”, mecanismos de compensação e – pasmem! – poderia inclusive determinar a retirada dos subsídios agrícolas, um velho sonho internacional”, sem que o governo federal houvesse se pronunciado “sobre a Proposta Lalonde” – proposta que certamente influencia na celeuma sobre a UHBM, tendendo a manter o povo de quatro, no momento em que a Amazônia poderá ser o encontro do elo perdido do ser humano e sua essência, impulsionando o Brasil a um patamar superior ao de países considerados de primeiro mundo.

Como se vê, a idéia sobre Belo Monte tem por objetivo consolidar o complexo de vira-lata, tão falaciosamente contestado pelo ex-presidente Lula quando no exercício do mandato, num discurso que destoa completamente da prática, só tendeu a subjugar a autoestima do povo brasileiro no que se refere à questão ambiental, e, que certamente contribuiu – e contribui - muitíssimo para o que se assiste hoje. Sendo tal condição homenageada pelo monumental pelourinho, “símbolo da autoridade e justiça” dos “donos do poder”.    .             

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Café Filosófico

Família Contemporânea em cena: novos pais.




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A globalização é feminina?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Oportunidades

Oportunidade
Por Luiz Mário de Melo e Silva
e-mail: luizmario_silva@yahoo.com.br
Coord. do Fórum em Defesa do Meio Ambiente de Icoaraci (FDMAI)

Segundo a Bíblia as mulheres são as grandes culpadas pelo que há de errado no mundo, afinal, foi a primogênita delas que, ao descumprir a ordem suprema, colocou tudo a perder para a humanidade (causa estranheza, porém, que algo, desprovido de vontade própria, sem razão, logo, discernimento, como eram os bípedes implumes do paraíso, possa descumprir quaisquer ordens, sobretudo de Deus; assunto a ser tratado em momento oportuno) e por isso, pagamos todos.

O pequeno intróito é devido a tentativa de compreender o governo da presidenta Dilma, porque, em curtíssimo tempo de mandato, o mesmo, segundo a imprensa sugere, é só corrupção.

Partindo, ainda, da grande verdade em que a mulher foi feita da costela do homem, certamente os erros cometidos pela presidente são consequências  de fatores herdados geneticamente. Logo, o que se assiste tem respaldo na ciência para continuar. Ou seja: o que começou errado permanecerá constante. Seria isso, então, a “herança maldita”, tão propalada pelo ex-presidente Lula e contra a qual não há nada a fazer?

Nesse sentido, deve-se imputar a sra. Rousseff, pessoa pública, total responsabilidade pelo que se assiste, até porque, como autoridade máxima do país  supostamente deve estar informada da índole de pessoas que a cercam (os “mensaleiros”, por exemplo,   compõem sua base de apoio e, quem sabe, pressionam para manter o status quo), e por isso não há como evitar sua suposta participação nos escândalos intermináveis, que encontram proteção para continuar como a praga que tomou conta da vida pública brasileira. Aliás, na altura dos acontecimentos, para se esquivar dos fatos, dizer que não sabe de nada do que ocorre não se justifica por todos os motivos, sobretudo porque estaria reproduzindo o mesmo que seu antecessor e avalista a quem deve sua atual condição, o que corroboraria o mal, com o que diz a Bíblia sobre a condição da mulher – o que é pior - e com a opinião popular de que todos os políticos profissionais são farinha do mesmo saco.

E se assim for, acabou-se a história, como desejava Francis Fukuyama, restando-nos, portanto, ficar em casa e  usufruir da paz eterna.

Porém, se a presidenta lembrar que Raul Seixas cantava que é preferível ser uma metamorfose ambulante a ter uma velha opinião formada sobre tudo, e, ainda, não ficar sentado no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar; como também ensinava Nietzsche que “entre as condições da vida poderia estar o erro” (A Gaia Ciência), não custa nada fazer valer a “rebeldia” de Eva e tentar mudar este quadro, dando continuidade à vida. Porque foi justamente a “desobediência feminina” que nos trouxe aos dias atuais e os quais, certamente, apesar de tudo, ninguém deseja deixá-los.

Por isso, esta é a oportunidade para as mulheres mostrarem que são a grande  diferença, como vem fazendo a professora nordestina Amanda Gurgel, e parir a solução para os problemas que afligem e oprimem a maioria dos brasileiros e - porque não? – a humanidade, sem prejuízo aos homens, afinal, são elas que fazem surgir a vida e contra isso não há como se opor. Portanto, não podem ser acusadas de erros dos homens.  

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Deus, Universo e Tudo Mais (Entrevista)

com Stephen Hawking, Carl Sagan e Arthur C. Clark como convidados, Magnus Magnusson mediou, em 1988, uma excelente entrevista (ou mesa-redonda).

















sexta-feira, 24 de junho de 2011

...a Academia Paraense de Letras.



AS LETRAS DE LUTO


A Academia Paraense de Letras (APL) perdeu uma excelente ocasião de voltar a ser das letras, e não de uma elite – que não é intelectual – que aos poucos vem se apossando daquele chamado sodalício. Ao eleger o senhor Ubiratan Aguiar com 22 votos para a vaga do falecido poeta Alonso Rocha, negando a entrada naquela entidade cultural aos poetas e escritores de reconhecidos méritos, quais sejam Antônio Juraci Siqueira e Milton Camargo, na eleição de hoje, a APL virou as costas para os escritores do Estado, que até então viam na instituição um respeitável exemplo de amor à Literatura.

Não cabe nem comparar os currículos dos candidatos item por item, porque seria covardia extrema com o senhor Aguiar. Antônio Juraci Siqueira é um dos mais premiados escritores paraenses de todos os tempos, aclamado pela crítica e pelo gosto popular, não por acaso glorificado por quem convive com ele, como eu, há mais de duas décadas. Milton Camargo, também, além de ser um consagrado autor de livros infanto-juvenis, é poeta premiado pela APL e foi professor da Universidade Federal do Pará. Por que negar o acesso dos dois, então?

A resposta é que, há muito tempo, a APL se tornou uma Assembléia Paraense de Letras, onde ser detentor do título de acadêmico tem pouco a ver com o saber e muito mais com o poder aquisitivo do candidato à pretensa “imortalidade”. Nesse sentido, convenhamos, perdeu muito mais a instituição, empobrecida intelectualmente sem Juraci ou Milton, e ganharam os dois autores que ficam de fora por serem, reconhecidamente, de baixo poder aquisitivo, mas de imenso patrimônio literário e intelectual.

Autor: Alfredo Garcia